O Instituto Adolfo Lutz encaminhou ontem à Secretaria Municipal de Saúde a confirmação de 13 novos casos de dengue em Bauru. Com os novos pacientes, a cidade totaliza 17 casos em 2007. Destes, 11 são autóctones (contraídos na própria cidade) e seis são ‘importados’ (em pessoas infectadas em outros locais). A situação pode ser considerada alarmante, já que qualquer aumento de casos de uma doença em tão pouco tempo pode, tecnicamente, ser classificado como epidemia, explica o veterinário e chefe do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), Luiz Ricardo Paes de Barros Cortez. No ano passado, foram confirmados 54 casos, sendo 24 autóctones, 28 importados e duas de pessoas em trânsito.
Porém, segundo o chefe do CCZ, o registro de um maior número de casos nessa época do ano já era esperado. “O clima propicia o aumento de vetores – mosquito Aedes aegypti. A grande quantidade de chuvas e o crescimento do número de casos registrados em outras localidades contribuem para isso”, salienta Cortez. Os Estados de São Paulo e de Mato Grosso tiveram crescimento do número de doentes. Tanto que as regiões de Três Lagoas e Araçatuba, foram citadas por Cortez, apesar do veterinário não apresentar estatísticas.
Em Bauru, o bairro onde o maior número de casos foi registrado é a Vila Universitária. Isso porque, esclarece o chefe do CCZ, o Centrinho da Universidade de São Paulo (USP) reúne pessoas de outras cidades que podem estar infectadas pela dengue. “O deslocamento de pessoas que vêm de regiões com focos da doença agrava o risco de transmissão”, completa. Para conter o avanço da epidemia foram feitos bloqueio de criadouros do mosquito, inspeção de imóveis e a eliminação dos focos. O serviço foi realizado pelos agentes da Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) e do CCZ.
“Geralmente o foco da doença está próximo ao local onde os casos foram registrados. É preciso eliminar os criadouros do mosquito da dengue em potencial”, afirma Cortez. A epidemia que a cidade vive hoje não pode ser comparada às registradas há cerca de dez anos. Apesar disso, é importante que toda a sociedade apoie as campanhas de combate à dengue mantendo os imóveis sem locais onde a água possa se acumular.
Ontem pela manhã, o CCZ em parceria com a Sucen realizou a aplicação de veneno contra o mosquito da dengue na região da Vila Giunta, operação que deve prosseguir até amanhã. Outras regiões da cidade que tiveram casos registrados deverão receber ações contra a doença, de acordo com a programação definida pelo CCZ.
____________________
Prevenção
O controle da dengue é feito, basicamente, pelo combate ao mosquito vetor. Dessa forma, locais que acumulem água limpa e parada precisam ser eliminados. Em garrafas, pneus, pratos para vasos de planta, entre outros, é que o Aedes aegypti põe seus ovos.
Colocar areia nos vasos e pratos de plantas, telas nas janelas, guardar as garrafas vazias de cabeça para baixo e em locais secos, limpar calhas e lajes são medidas simples que ajudam a evitar a proliferação do mosquito.