Gaza - A equipe de governo do premiê palestino, Ismail Haniyeh, renunciou aos cargos que ocupava ontem para dar lugar ao novo governo de coalizão entre os movimentos rivais Fatah e Hamas.
O acordo para a formação do novo governo foi feito no dia 8 de fevereiro durante uma reunião em Meca, na Arábia Saudita. Espera-se que a formação do novo governo ponha um fim à disputa por poder entre o Hamas e o Fatah, que além de serem movimentos políticos possuem braços armados.
Ontem, o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas (Fatah), presidiu uma pequena cerimônia na qual Haniyeh (do Hamas) submeteu a renúncia de seu gabinete, o que virtualmente encerra meses de tentativas frustradas de negociações para a divisão do poder palestino. Após a renúncia, Abbas pediu a Haniyeh que formasse uma coalizão de governo entre Hamas e Fatah em até cinco semanas.
O presidente da ANP destacou que o novo governo deverá respeitar acordos internacionais, o que implicaria o reconhecimento de Israel por parte do Hamas mas não exige um reconhecimento formal.
Estados Unidos
Em Washington, o porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Sean McCormack, não confirmou relatos sobre um possível boicote americano ao novo governo palestino.
O porta-voz disse apenas que os EUA não julgarão o governo até que ele esteja formado e seja possível avaliar sua performance.
Assistentes de Abbas, falando em condição de anonimato, afirmaram que na noite de anteontem o presidente da ANP recebeu uma ligação telefônica do secretário de Estado assistente dos EUA, David Welch, que teria dito que a plataforma do novo governo não é satisfatória.
Segundo os assistentes, Welch afirmou que os EUA não lidaria com nenhum membro do novo governo, inclusive membros do Fatah (considerado mais moderado) e independentes. Os EUA consideram o Hamas um grupo terrorista. Há relatos também de um boicote sendo arquitetado por Israel.