O usuário batia no portão e, ao ouvir uma resposta de quem estava no quintal, pronunciava a palavra “doce”, a senha para comprar crack ou cocaína. Era assim que funcionava a venda de drogas em uma casa do Jardim das Orquídeas, em Bauru, segundo a Polícia Civil que, através da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise), apreendeu 146 pedras de crack e 52 porções de cocaína embalados para a venda ontem à tarde na residência. Três mulheres, que moravam no imóvel, foram presas.
Os policiais também apreenderam apetrechos para embalagem das drogas, que juntas pesaram 245 gramas, dinheiro e celulares. O delegado Cleber Granja, da Dise, conta que há cerca de dez dias policiais estavam investigando uma denúncia anônima que chegou à delegacia e comprovou que no local ocorria tráfico.
“A denúncia dava conta que na casa moravam três mulheres e que a venda de drogas ocorria com o portão fechado. Após dizer a senha, que era “doce”, a droga era passada por baixo do portão, assim como o dinheiro. Isso ocorria principalmente no final de tarde e à noite. Os policiais, nas investigações, comprovaram a ocorrência de tráfico”, conta o delegado.
Ainda durante as investigações, os policiais descobriram que na casa morava Adriana Dias Martiliano, 37 anos, dona de um bar onde, no ano passado, foram apreendidas 16 pedras de crack. Ontem pela manhã, com autorização judicial para busca e apreensão, uma equipe da Dise foi à residência.
Na sala, em cima de um móvel, os policiais encontraram um pote contendo 17 pedras de crack embaladas para venda e quatro porções de cocaína. “Estavam prontas para a venda no varejo”, diz Granja.
Continuando as buscas, eles acharam uma sacola plástica no varal contendo mais 148 porções entre crack e cocaína. Ainda na casa, foram encontrados apetrechos para embalar drogas e prato e faca com resquícios de cocaína.
De acordo com Granja, na bolsa de Pedrina Aparecida Alves de Menezes, 56 anos, uma das moradoras, os policiais encontraram duas pedras de crack e R$ 86,00 em notas miúdas. Com Adriana, R$ 480,00 e com a terceira moradora, Neusa Oliveira, 46 anos, R$ 58,00. “Suspeitamos que o dinheiro seja fruto da venda de droga porque é em notas de pequeno valor”, diz o delegado.
As três foram presas e responderão processo por tráfico, crime cuja pena é de cinco a 15 anos de prisão, e associação para o tráfico (pena de quatro a 10 anos). “O fato de a casa ficar a cerca de 50 metros de uma escola pode ser um agravante”, diz o delegado. Granja frisa que a Polícia Civil deflagrou ontem plano de contingência para o Carnaval, que intensifica o policiamento preventivo e também investigativo.