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Profissão perdeu status e respeito

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

A profissão de professor já foi sinônimo de status. Além do respeito dentro e fora da sala de aula, a categoria era valorizada também financeiramente.

O professor aposentado Rodolpho Pereira Lima, 76 anos, lembra que cerca de 30 anos atrás um homem que casava com uma professora era chamado de chupim, por causa do bom salário que ela recebia. “Esse era o conceito daquela época”, cita Lima.

O conceito foi tão disseminado que uma das definições para “chupim” no Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa é “marido da professora, quando vive à custa dela”. Na verdade, chupim é o nome de um pássaro que tem o costume de pôr seus ovos nos ninhos do tico-tico, que sem saber lhe cria os filhotes.

Na opinião do professor, que trabalhou durante 20 anos como diretor de escola, a categoria é uma das que mais foi desvalorizada com o tempo. Ele usa como comparação a situação financeira que ele vive hoje e a situação de colegas que escolheram outras profissões, como promotores de Justiça, por exemplo. Ele lembra que na época em que escolheu ser professor, a categoria era tão valorizada quanto a de promotor. Hoje, entretanto, a disparidade é gigantesca.

Segundo Lima, faz tempo que o professor foi colocado em segundo plano. Ele cita a Constituição Federal de 1988, que em seu artigo 206, no inciso V, fala em valorização dos profissionais do ensino. “Se a profissão não estivesse desvalorizada desde aquela época não seria preciso incluir esse inciso na Constituição”, observa o professor, que hoje é conselheiro do Centro do Professorado Paulista (CPP).

Segundo ele, a situação do professor aposentado é ainda pior, porque não conta com as gratificações que são pagas aos profissionais da ativa. Lima se diz tão decepcionado com o tratamento recebido pelos professores que chega a afirmar que se fosse jovem escolheria uma outra profissão para seguir.

Determinação

A universitária Márcia Miranda Silveira Bello, 21 anos, que está no segundo ano de pedagogia na Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, reafirma sua disposição em ser professora apesar de toda a dificuldade vivida pela categoria.

Ela concorda que falta motivação aos profissionais da área, que o salário atual não recompensa o esforço exigido e, por isso, muitos optam por dois empregos, mas mesmo assim está motivada para ingressar na carreira. “Eu sei de tudo isso, mas é a profissão que escolhi”, afirma. Márcia já escolheu também seu público preferido. “Quero trabalhar com as crianças até a quarta série. Por isso, resolvi fazer pedagogia”, revela.

Para a dirigente regional da Diretoria de Ensino, Vera Nilce Jarussi Gomes de Sá, a realidade em Bauru e em outras 14 cidades da região, a situação não é tão desesperadora. Segundo ela, existem professores em quantidade suficiente para atender a demanda, em todas as áreas.

“Nós tivemos dificuldades para achar professor de física e química, por exemplo, no anos 80. Agora, não”, afirma. Segundo Vera, Bauru se transformou em um pólo universitário e isso tem contribuído para a formação de profissionais habilitados na área da educação.

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