Geral

Energético mascara efeito do álcool

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

A prática é condenada pelos profissionais da saúde, mas uma das cenas mais comuns nas casas noturnas é ver jovens misturando bebidas energéticas com uísque ou vodca.

Uma pesquisa realizada por uma equipe de psicólogos da Universidade de São Paulo (USP) concluiu que as pessoas que fazem uso dessa mistura se sentem menos bêbadas do que realmente estão.

De acordo com a coordenadora da pesquisa, a professora Maria Lúcia Souza Formigoni, as bebidas energéticas evitam a sonolência causada pelo álcool e aumentam a capacidade do jovem dançar a noite toda.

“Quando eu bebo destilado puro, chega uma hora que me dá sono. Quando tomo junto com energético fico ligado a noite toda. Eu viro um zumbi”, relata um funcionário público de 34 anos, que pediu para não ser identificado. Segundo a pesquisa da USP, esses efeitos podem ser mais psicológicos do que reais.

De acordo com o estudo, uma lata de bebida energética não é suficiente para combater a fadiga, a confusão mental e as dificuldades de coordenação motora provocadas pelo consumo excessivo do álcool.

Real ou não, o funcionário público garante que a mistura faz efeito. Ele diz que uma lata de energético rende três doses quando misturada com uísque ou vodca. “Quando a balada é forte, consigo manter o agito até de manhã. Sem o energético, eu não agüentaria”, diz ele referindo-se aos “embalos de sábado à noite”.

O funcionário público fez uso da mistura durante cerca de cinco anos. Mas no último Réveillon, ele fez uma promessa de “parar com tudo isso”. “Agora, só cerveja”, diz ele. Entretanto, depois que decidiu parar, ele mesmo admite que não teve nenhuma festa que justificasse ficar acordado a noite toda.

O grande teste será o Carnaval. “Acho que consigo passar em branco”, acredita. “Mas minha promessa não tem prazo de validade”, desconversa. “Mesmo se eu voltar, vai ser esporádico. Tô ficando velho”, argumenta.

Se ele não sabe como vai reagir nesse Carnaval, o mesmo não ocorre com a dentista Priscila Cagi, 31 anos, que já prevê quatro noites de muito agito. “Provavelmente”, respondeu ela quando questionada se vai apelar para uma bebida energética para agüentar a folia. Ela conta que normalmente mistura a bebida com vodca que, segundo ela, não tem gosto de nada e portanto adere bem ao sabor do energético.

Priscila comenta que a irmã também já experimentou a bebida, mas sentiu palpitação e não quis mais saber desse tipo de mistura. A palpitação é um dos efeitos provocados pelos componentes das bebidas energéticas, por isso os nutricionistas alertam que elas só devem ser consumidas com orientação de especialistas.

____________________

Academias

Já o consumo de bebidas isotônicas é mais comum nas academias. A função delas não é deixar as pessoas “ligadas”, mas repor as substâncias que foram gastas durante os exercícios físicos.

O estudante Luiz Capelin, 18 anos, toma uma garrafinha de 500 ml de bebida à base de carboidratos todas as vezes antes de iniciar a malhação. Quando termina os exercícios, toma mais 250 ml de outro suplemento, rico em proteína.

Segundo ele, o carboidrato é para dar mais energia. “Demora mais para cansar”, relata ele. Já a proteína é para dar mais massa muscular, diz Capelin.

O autônomo Paulo Roberto Harten Júnior, 33 anos, bebe isotônico desde julho do ano passado, quando iniciou suas aulas na academia. Segundo ele, a sensação de saciedade é a que mais prevalece. Durante a atividade física, a ingestão de líquidos é obrigatória mesmo que a pessoa não sinta sede, principalmente nas atividades que durem mais de 60 minutos.

Comentários

Comentários