Washington - As temperaturas mundiais registradas em janeiro foram as mais altas da história já registradas neste período do ano.
Segundo comunicado da Administração Oceânica e Atmosférica americana (NOAA, sigla em inglês, que registra temperatura do planeta desde 1880, as temperaturas mundiais terrestres e da superfície dos oceanos foram as mais elevadas registradas para um mês de janeiro.
De acordo com relatórios preliminares, em janeiro, as temperaturas ficaram 0,85ºC acima da média do século 20, batendo o recorde estabelecido em 2002, de 0,71ºC sobre a média.
Em particular, as temperaturas terrestres estavam 1,89ºC acima da sua média em janeiro, um nível recorde, enquanto as temperaturas oceânicas eram as quartas mais quentes já registadas em 128 anos, ou seja 0,1ºC abaixo do recorde estabelecido em 1998, no auge do fenômeno El Niño.
“O fenômeno El Niño e a tendência contínua para o aquecimento climático contribuíram para que o mês de janeiro de 2007 fosse o mais quente já conhecido”, explicou a NOAA em sua declaração.
No último século, as temperaturas mundiais na superfície subiram a um ritmo de 0,06ºC a cada dez anos, mas o aumento foi três vezes mais elevado desde 1976, a 0,18ºC a cada década, com alguns dos mais fortes aumentos de temperatura nas elevadas latitudes do hemisfério Norte ou perto do pólo Norte.
Ameaças
O aquecimento global está provocando o derretimento das geleiras eternas em regiões tropicais, colocando sob ameaça o abastecimento de água para milhões de pessoas, segundo advertiram pesquisadores da Universidade Estadual de Ohio.
A advertência foi feita durante o encontro anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência, em São Francisco.
Segundo os pesquisadores, a geleira Qori Kalis, no Peru, pode perder metade de seu tamanho nos próximos 12 meses e desaparecer completamente em cinco anos.
A geleira estaria perdendo cerca de 60 metros ao ano atualmente, contra uma média de um metro ao ano durante os anos 1960.
O derretimento das geleiras estaria afetando também outros países andinos - Colômbia, Venezuela, Equador e Bolívia.
Os pesquisadores dizem que o encolhimento das geleiras é a prova mais clara até hoje do aquecimento provocado pelas mudanças climáticas.
“As geleiras tropicais em baixas altitudes já estão desaparecendo”, disse a glacióloga Lonnie Thompson, que chefiou a pesquisa.
“Não importa o que fizermos, vamos perder as geleiras do Kilimanjaro (a montanha mais alta da África), vamos perder as geleiras de baixa altitude nos Andes. A questão é quão longe teremos que chegar antes que haja alguma ação significativa para reduzir emissões”, lamenta Thompson.
Segundo ela, a perda das geleiras tropicais deverá ter um grande impacto sobre a vida de milhões de pessoas que dependem delas para seu abastecimento de água.