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‘Praia dos bauruenses’ está imprópria para caminhadas

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Quem caminha todos os dias pela avenida Getúlio Vargas acompanha a decadência, o descaso e a falta de respeito com um dos cartões postais de cidade, a “praia dos bauruenses”, como muitos a batizaram.

A avenida que leva o nome de um dos presidentes mais conhecidos do País pede socorro, e socorro urgente. O mato invade a pista de caminhada, copos descartáveis disputam espaço com garrafas de bebida, papéis, sacos plásticos, restos da pizza da noite anterior, embalagens diversas, papel higiênico e até camisinhas.

Em toda a sua extensão, três tímidas lixeiras já não agüentam tanto lixo e sem coleta constante, transbordam. A situação só não é pior porque não tem mais espaço. O canteiro central, que já exibiu vários tipos de flores em outros tempos, é hoje também um depósito de lixo. As formigas tomam conta de boa parte dele, a grama está mal podada, as flores secaram e tudo o que resta estão a mostra para todo bauruense se envergonhar e acreditar no descaso.

Na opinião de Sônia Marques Joaquim, que costuma caminhar pelo local, são três os motivos que levam à decadência da Getúlio. “Falta de educação dos usuários, negligência do poder público e conscientização ambiental”, enumera.

Na opinião dela, a família tem por obrigação educar seus filhos e conscientizar sobre o lixo. “Os jovens que freqüentam aqui não são de classe social baixa e todos não tem educação ambiental. As famílias permitem tudo e eles saem para a rua fazendo sujeira. Falta política ambiental nessa cidade.”

Um ciclista que preferiu não se identificar conta para a equipe de reportagem que um idoso, que ele não sabe quem é, mas tem certeza de que é morador das imediações, costumava, por conta própria, pegar os recicláveis. Porém, o homem deixou de fazer o serviço voluntário e o poder público não se dá ao trabalho de sequer recolher o lixo das lixeiras.

Horrorizado com a atual situação, o ciclista lembra ainda que a avenida já não oferece ambiente agradável para longas caminhadas e passeios. “A praia de Bauru está suja. No litoral, as praias são limpas todos os dias, aqui o poder público não recolhe nem o lixo”, diz indignado.

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Preservação do meio ambiente

Quem caminhou ontem pela manhã pela avenida Getúlio Vargas ficou assustado com a quantidade de lixo, mas para Wagner Bisacci, a situação não é nova. “A prefeitura não faz nada. São poucas e pequenas as lixeiras. Ainda que os freqüentadores quisessem colocar o lixo nas lixeiras, elas não estão disponíveis em toda a extensão da Getúlio.”

Ele acredita que para mudar o “caos” que se encontra é preciso vários ingredientes. “Lixeiras e conscientização dos jovens sobre a preservação do meio ambiente. Do jeito que está, está ficando perigoso andar por aqui. Com o tanto de mato não será difícil aparecer cobras”, afirma.

Para Fátima Maeda, dois pontos são necessários para a mudança de comportamento e a limpeza da via. “Aqui já foi um local agradável para caminhar. Atualmente está muito sujo. Uma boa campanha de conscientização de jovens acompanhada do interesse das autoridades competentes poderia reverter a situação”, reitera.

O descaso da prefeitura para com a avenida e com seus usuários é algo que salta aos olhos, diz Getúlio de Sá Neto, que utiliza a avenida para caminhar nos finais de semana. “Não tem mais limpeza, é um descaso total.”

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