São Paulo - Num ano em que a tecnologia foi uma das inovações do Carnaval em São Paulo, um desfile à moda antiga virou a sensação do Sambódromo do Anhembi, sem a luxousidade nem a riqueza das eventuais favoritas ao título, mas com uma bateria e um samba que contagiaram. A Águia de Ouro, quinta a entrar na avenida na segunda noite do Grupo Especial, foi a única ovacionada pelo público com os gritos de “é campeã”.
O samba da escola da Pompéia exaltava: “a bateria vai te arrepiar”. E não deu outra. O artesanato do “Brasil feito à mão” esteve no enredo da Águia de Ouro. No desfile, foliões de trajes rústicos e alas animadas, uma delas só de idosos, outra só de crianças. O visual da escola, porém, não era um ponto forte da Águia de Ouro, reconhecia seu presidente, Sidnei Carrioulo. Com um desfile que ele mesmo classificou de “barato e simples” suas fantasias e alegorias foram bem mais modestas do que as de Vai-Vai, Mocidade Alegre e Império de Casa Verde - que, no conjunto, conseguiram fazer desfiles sofisticados, bem luxuosos e saem como favoritas.
Também no páreo, está a Unidos de Vila Maria. A Vai-Vai levou seu abre-alas com um imenso telão de plasma com flashes de 12 campeonatos conquistados pela escola. Na Mancha Verde, um carro exibia imagens do barracão em TVs de plasma.
Na segunda noite de desfiles, a principal musa foi Sheila Carvalho, ex-É o Tchan, à frente da bateria da Vai-Vai, cujo enredo engajado tratava da reciclagem. Destaques que também motivaram aplausos da arquibancada foram Maurício de Sousa, homenageado pela Unidos do Peruche, Marcos Pontes, 43 anos, astronauta brasileiro sensação num carro da Rosas de Ouro, e a apresentadora Ana Maria Braga, no abre-alas da Vai-Vai. A bateria da Águia de Ouro foi um show à parte e levou o público ao delírio. A primeira inovação foi logo na abertura do desfile: entrou à frente do carro abre-alas.