Nacional

Escolas abordam tema da violência

Por Luiz Fernando Vianna | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Rio - Milton Cunha fez duas viagens à África do Sul para desenvolver “Preto e Branco a Cores”, enredo com que a Unidos do Porto da Pedra abre, às 21h, o desfile de hoje no Sambódromo carioca. Voltou com muitas informações sobre o apartheid e com a certeza de que a violência do regime racista - que durou de 1948 a 1990 - é próxima da que se vê no Brasil.

O paralelo será explicitado na terceira alegoria, que faz alusão ao Caveirão, blindado usado pela polícia do Rio para entrar em favelas. Muitos inocentes já foram atingidos em ações desse tipo. “O Caveirão é a ponta mais óbvia da nossa desigualdade. E é igual a um carro que era usado na África do Sul para reprimir os negros. Lá, o racismo era legislado, oficial, enquanto no Brasil é velado, extra-oficial”, afirma o carnavalesco.

O enredo da Porto da Pedra é o mais militante deste ano. Uma ala homenageará o ator e político Abdias do Nascimento, e outras representarão organizações como a Central Única das Favelas (Cufa) e o grupo teatral Nós do Morro.

Outras escolas que abordam o Estado do Rio preferiram disfarçar ou ocultar o tema da violência. A Grande Rio, vice-campeã em 2006, conta a história de Duque de Caxias, a cidade da Baixada Fluminense onde fica a escola.

Tenório se impôs em Caxias através do assistencialismo, voltado principalmente para os migrantes nordestinos, e da violência: andava com capangas e ficou conhecido como “o homem da capa preta”, por causa da roupa em que escondia a metralhadora “Lurdinha”. “Ele aparece no desfile com a capa e a “Lurdinha’, mas não há um tom crítico, porque é um enredo sobre gente, pessoas que estão ligadas à história da população da cidade. Tenório fez coisas pelos nordestinos, fazia festas de Cosme e Damião para as crianças”, diz o carnavalesco Roberto Szaniecki. Na Portela, patrocinada pelo governo federal para divulgar o Pan 2007, o Rio é cantado por suas belezas, não por suas mazelas.

Na Unidos da Tijuca, cujo tema é fotografia, a Guerra do Vietnã é mostrada através da imagem da menina Kim Phuc correndo com o corpo queimado após um bombardeio norte-americano.

A pacata Noruega é o enredo da Imperatriz Leopoldinense, sempre uma das favoritas. Rosa Magalhães promete surpreender com um desfile leve, ao contrário do que fez nos últimos anos.

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