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Musa na TV e no Carnaval

Por Andrezza Capanema | Folhapress
| Tempo de leitura: 5 min

Símbolo sexual + mocinha = sucesso? Juliana Couto Paes, 27 anos, ou simplesmente Juliana Paes, testou e aprovou a fórmula. Dona de uma galeria de tipos sensuais na TV - e personagem cativa do imaginário masculino -, a atriz nascida em Rio Bonito, no Rio de Janeiro, tem convencido como a sofredora Guinevere, uma das protagonistas de “Pé na Jaca” (Globo).

Antes de conquistar o País como a heroína da novela das sete, contudo, a estrela precisou provar nos bastidores que poderia interpretar, e bem, um papel dramático, que a libertasse do carma de símbolo sexual. Considerada uma das 100 mulheres mais bonitas do mundo pela revista americana “People” no ano passado, Juliana lembra como deu um passo a mais.

“Com seriedade e disciplina, esse rótulo é quebrado. Sempre há alguém de olho no seu trabalho, em como você se dedica. Se mostra que gosta realmente do que faz, que é séria, que pode chegar lá, alguém vai te dar uma chance”, diz, para ressaltar: “Enquanto o rótulo está na cabeça das outras pessoas, tudo bem, é uma coisa normal. O que não pode acontecer é o próprio ator acreditar nisso. Ser símbolo sexual em nada tem a ver com talento e trabalho”, ensina ela.

Certa do caminho que queria trilhar, a intérprete afirma que não teve medo de não dar conta do recado na estréia como mocinha na trama escrita por Carlos Lombardi. “Eu já estava me preparando para isso. Desde que comecei a batalhar por um papel na televisão, sempre estudei muito, procurei dar o meu melhor. Hoje em dia, estou colhendo, pouco a pouco, os frutos do meu esforço. Quando recebi o convite, fiquei lisonjeada. Principalmente feliz por ter meu trabalho reconhecido.”

Eike Cruz, empresário da atriz, acompanhou essa trajetória de perto. “A gente não queria que ela fosse mais uma e trabalhou por isso. Uma das decisões mais importantes foi recusar os primeiros convites para a ‘Playboy’, que surgiram em ‘Laços de Família’ (2000). Ela fez as fotos (nua) na hora certa, quando era a Jacqueline Joy de ‘Celebridade’ (2003) e o papel pedia isso”, analisa o profissional. Não demorou para o profissionalismo da dupla dar resultado.

“A Globo, autores e diretores da emissora foram percebendo que a Juliana estava na TV para trabalhar e não para tirar benefícios do veículo, como muitas fazem. Aí apareceu a chance de mostrar que ela podia ir além com ‘Pé na Jaca’”, completa o empresário.

Animada com a repercussão da nova fase da carreira, Ju, como é chamada pelos amigos, credita o bom momento também ao carisma de Guinevere. “A Gui não é a heroína clichê. A personagem tem momentos em que chora, em que briga, mas é uma mulher obstinada, não se põe de vítima nas situações, não passa o sentimento de pena para o telespectador. Ela transmite força, coragem e determinação. Acredito que o público a admira por isso”, diz. “As pessoas me param nas ruas para dizer que se identificam com ela.”

Não é apenas o público que se vê na moradora de Deus me Livre. Juliana fala que tem mais em comum com a mocinha do povo do que muitos podem imaginar - principalmente aqueles que ainda se limitam a vê-la como símbolo sexual. “É a personagem com que mais me identifico. Também tenho uma certa inocência em relação às pessoas, isso até que me provem o contrário”, fala, para ponderar: “A diferença entre nós é que Gui é mais sonhadora, eu sou mais pé no chão do que ela.”

Talento somado a experiências pessoais a ajudaram a compor a moça. A atriz não precisou ir longe para descobrir o tom certo que precisava dar ao trabalho que é um divisor de águas em sua carreira. “Minha mãe (Regina, que trabalhou por alguns anos como babá nos Estados Unidos por conta de uma crise financeira) é uma mulher guerreira e batalhadora como a Gui. Passou por momentos difíceis na vida, mas nunca se deixou abater. E, principalmente, sempre enfrentou as situações com muito bom humor”, lembra.

Na Sapucaí

Mas se engana quem pensa que personagens sensuais vão ficar guardados no livro de recordações da morena. Anteontem, a musa deixou Guinevere e a fictícia e pacata cidade do Interior paulista de lado para vestir o figurino de um de seus papéis mais quentes na Marquês de Sapucaí: a rainha da bateria da escola de samba Unidos do Viradouro.

“A gente (os integrantes da agremiação carioca) conhece a Juliana desde que ela ia de camiseta, jeans e tênis aos ensaios na quadra da Viradouro (no bairro do Barreto, em Niterói, onde a atriz foi criada), e ela continua a mesma pessoa. Quando entra na Marquês de Sapucaí, o Sambódromo vai à loucura. O público reverencia a Juliana porque ela reverencia o público”, conta o presidente Marco Lira.

A atriz que comandou a bateria da Viradouro na Marquês de Sapucaí, diz que dispensa o título de musa do Carnaval e que sua preocupação é ver a escola vitoriosa. “Esse é o ano do nosso campeonato. Não estou preocupada com essas eleições (de musa). Estou preocupada se a escola vai ser campeã ou não. O que eu quero é que os jurados dêem nota 10 em todos os nossos quesitos e que nós sejamos campeões este ano”, afirmou a rainha da bateria minutos antes de entrar na avenida sobre um carro alegórico inovador, que trazia os ritmistas da escola.

Juliana, que vestia uma fantasia dourada com pedrarias e enfeitada de plumas lilás, foi pela quarta vez rainha da bateria da Viradouro.

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