O caro leitor, sábio das coisas que acontecem na cidade, vive se perguntando sobre as razões de tamanha crueldade que existe por aí. O caso do menino que foi arrastado por bandidos no Rio de Janeiro chocou a população e indignou autoridades e imprensa. Quando acontece um caso como este, o país pára e clama por justiça. Pena que a banalização da violência só faça o povo se levantar quando há crueldade... quando o crime é algo de hediondo.
Sim, amigo leitor, a violência diária, de pais contra filhos, de maridos contra esposas, de homens e mulheres contra crianças, de adolescentes marginalizados contra cidadãos, de autoridades contra o povo... a violência diária que a televisão mostra, inclusive em programas infantis... a banalização do sexo, a farsa de um Big Brother, as notícias ruins que vendem mais. Esta é a violência banalizada no cotidiano. Apenas algumas ONGs falam diariamente sobre o assunto... e nada mais.
A sociedade grita contra os bandidos que mataram o menino no Rio, mas dá esmolas que financiam o tráfico nas esquinas das cidades. Só por um dia, cada cidadão tira a sua cruz das costas e paga o crime. O cruel é que o cidadão que faz isso acha mesmo que está colaborando com uma criança com fome. Pessoas que nunca sentiram fome na vida vão aos jornais para serem fotografados dando comida aos pobres. É mesmo a banalização da miséria.
Esta indignação não fica restrita a este clamor. Penso que podemos e devemos fazer algo. Engajar em uma luta diária pela Qualidade de Vida é um caminho. Mas... como fazer isto? Se votamos nos políticos exatamente para lavarmos as nossas mãos e deixarmos tudo por conta deles? A resposta pode parecer simples, mas é exata: fazer acontecer! Tirar do papel e do pensamento todas as ações que cada um de nós pode cometer para mudar esta situação.
Outro dia, o Jornal da Cidade mostrou a sujeira que a população faz na avenida Getúlio Vargas. Mas não é só ali, é em toda parte da cidade. A população suja e depois grita contra os governantes, que não limpam e acusam a população. Não basta uma atitude arraigada (e louvável) do secretário do meio ambiente, Rodrigo Agostinho, é preciso ter políticas públicas. Ou seja, não basta limpar, precisa educar.
É exatamente aí que voltamos ao ponto de partida. O Homem do século XXI precisa adentrar a sua alma. E, neste caso, não basta procurar uma religião. É preciso ir direto a Deus, sem intermediários. Dentro de cada um, na solidão da alma, está tudo aquilo de que precisamos: a vida. Muitos ficam colocando lenha na fogueira... estes são os que não prestam nenhum serviço à sociedade. Outros, abrem caminho para a paz.
Só não pode ser uma paz que fica apenas na bandeira. Precisa ser a paz cotidiana, partindo de uma paz interior. Respire fundo, observe ao seu lado, veja quanta coisa boa você pode começar a fazer agora: separe o lixo reciclável; feche a torneira; economize energia elétrica; chame os amigos para uma boa conversa; coma frutas, legumes e verduras; perceba o sorriso das crianças; pare de fumar; seja menos violento no trânsito; indigne-se contra os maus tratos aos animais; respeite a natureza; tenha compaixão pelo seu semelhante; e, sobretudo, respeite mais você mesmo. É simples.
O autor, Reginaldo Tech, é professor de literatura e redação; mestre em lingüística; e secretário executivo da ONG COMVIDA. Acesse: www.blogdotech.zip.net e www.comvida.org