Politicando

Chá complicado...


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O sempre reverenciado bispo d. Candido Padim sugeriu o tema e o padre Jacques Vervier escreveu uma obra gigantesca em Sociologia denominada Perfil Sócio Econômico do Marginalizado, Ed. Fafil, Bauru, 1980. Tendo-a como livro de cabeceira, uma vez que nela temos um retrato fiel de nossa periferia, sempre que a consultamos nos lembramos do bispo carioca D. Helder Câmara, em sua cruzada pela inclusão social do marginalizado no Rio de Janeiro.

Todavia, Dom Helder, ao ver favelados em suas novas residências de alvenaria usando o bidê como tanque de lavar roupa suja, concluiu de imediato pela necessidade de um curso de “aculturação” para aquelas pessoas. O indivíduo que vem de um ambiente rural para a cidade sofre muitos problemas. E não sabe a quem recorrer. Já aconteceu de vários clientes terem subido sete andares, de nosso prédio, pelas escadas, simplesmente porque tinham “medo” do elevador. Esse problema se agrava nas grandes capitais com as subdivisões, não bem explicadas no painel dos elevadores, tais como mezanino, sobreloja, térreo, subsolo, etc, o que, diga-se de passagem, é um problema muito menos do usuário do que dos fabricantes de elevadores.

Como exemplo dessa dificuldade de adaptação ao ambiente urbano, fomos procurados certa vez no Centro de Defesa do Consumidor por uma senhora idosa, que estava indignada com o pacote de chá que havia comprado.

- Veja só que aperreio! – dizia ela. – A gente precisa rasgar esses malditos saquinhos para poder coar o chá!

Rui Bertoti

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