Política

‘Centralizar é pecado no Gabinete’

Por Marcelo Ferrazoli | Colaborou Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

O perfil do novo chefe de Gabinete deve atender a alguns requisitos básicos, entre eles ser de extrema confiança do prefeito (e mantê-la a qualquer custo), atender ou pelo menos ouvir os pedidos de todos os segmentos sociais, sem privilégios, e não centralizar as decisões em encaminhamentos para não engessar a máquina, não frustrar o solicitante e, sobretudo, não gerar dissabores dentro e fora do governo.

Em síntese, essas são as principais pitadas que vereadores e também integrantes da própria administração deram ao JC na tentativa de se levantar quais são os requisitos, ou os quesitos pessoais, que o novo ocupante do cargo tem de preencher. Até para evitar interpretações mal-digeridas e ruídos desnecessários, os que prestaram informações à reportagem sobre o perfil ideal de um chefe de Gabinete preferiram não se identificar, do lado do governo, claro.

Mas entre os vereadores as principais impressões manifestadas por quem está dentro do governo também apareceram, mantendo o eixo dentro dos limites principais de que o ocupante do cargo deve ter a confiança do chefe, ser plural e um bom distribuidor de tarefas.

Mesmo os que evitaram entrar no mérito de classificar as características para a ocupação de um cargo do lado situacionista, indicaram os principais pontos do perfil ideal. O tucano Marcelo Borges, por exemplo, mencionou que “tem de ser uma pessoa de estrita confiança do prefeito que tem de ficar lá respondendo, despachando, recebendo as pessoas e estar 24h administrando e sendo o braço direito do prefeito, pois tudo começa dentro do gabinete”.

Os critérios

Na avaliação do vereador do PSDB, o chefe de Gabinete representa o prefeito e tem outras tarefas não menos importantes como fazer a triagem de quem entra ou não para ser ouvido. “Tudo que o chefe fez ou não fez foi com o respaldo do prefeito. Se ele não tivesse não estaria fazendo nada disso. Entre ser político ou técnico, depende da gestão do prefeito. Se este é aquele que articula politicamente, se dedica a algumas questões políticas, aí precisaria ser um cara mais técnico para administrar, despachar e ver coisas do dia-a-dia. Depende muito do perfil do prefeito”, indica Borges.

Já Primo Mangialardo opina que o chefe de Gabinete tem de ser uma pessoa que ouça os pedidos e que não centralize. “Chefe de Gabinete centralizador cria problemas à cidade, Câmara e para o prefeito. Deve ser alguém que ouve mais do que fala e, principalmente, não tenha pretensões políticas, senão será fritado da mesma forma que foi. O Canalli era centralizador porque o prefeito deu poderes para ele centralizar. A notícia que tínhamos é que todos os ofícios que enviávamos às secretarias eram triados pelo chefe de Gabinete e não iam direto às secretarias, o que não pode ocorrer”, criticou.

O petista José Carlos Batata fala que “é um cargo de confiança do prefeito e ele tem de definir o que é melhor para seu governo e para ele como chefe de Gabinete. É um cargo extremamente importante que faz a relação entre o Legislativo e o Executivo e com a população. Se for um chefe que não responda a essa ansiedade, fica um vazio”.

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