Roma - O premiê italiano, Romano Prodi, renunciou ao cargo ontem depois de sofrer uma derrota no Senado a respeito de sua política externa. O pedido foi apresentado ao Palácio Quirinal (presidencial) após uma reunião para contornar a crise no governo.
O presidente italiano, Giorgio Napolitano, aceitou o pedido e deve se reunir com líderes políticos da Itália amanhã para decidir que caminho tomar. As opções incluem a dissolução do Parlamento e a convocação de eleições antecipadas.
Dividido a respeito da permanência de tropas italianas no Afeganistão e do vínculo com o Exército dos EUA, o governo de centro-esquerda de Prodi não conseguiu obter o número necessário de votos para aprovar uma moção de apoio à política externa proposta por Prodi.
Não havia obrigação constitucional para a renúncia do premiê. No entanto, o ministro italiano das Relações Exteriores, Massimo D'Alema, já havia dito antes da votação no Senado que o atual governo renunciaria caso não obtivesse a maioria para apoiar sua política externa.
A derrota no Senado foi o maior revés do governo de coalizão liderado por Prodi, que também se apresenta dividido a respeito de questões domésticas como a reforma previdenciária e uma lei que reconhece casamentos gays e uniões informais de casais. A moção de apoio à política externa do atual governo recebeu 158 votos favoráveis - número abaixo dos 160 necessários.
Após a derrota, a oposição pressionou pela renúncia de Prodi. Renato Schifani, líder do maior partido de oposição no Senado, o Forza Italia, mostrou um exemplar do jornal italiano “La Stampa”, no qual D'Alema prometia a renúncia do governo caso a moção de apoio à política externa não fosse aprovada.
Afeganistão
Além da permanência das tropas italianas no Afeganistão, onde o país mantém 1.900 soldados que auxiliam em uma missão da Otan, outra questão polêmica é o plano do governo de expandir uma base militar do Exército americano localizada no norte da Itália.