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Agora, já


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Mudanças climáticas é o alerta que ecoou pelo mundo neste mês. Já o era quando eu estudava no curso científico no fim da década de 50, portanto, há meio século. Levados em consideração os alertas de então, hoje não estaríamos assistindo aos desastres ambientais e nem na eminência de outros ainda mais assustadores. No passado, estivemos à mercê de predadores os mais diversos: os colonizadores na destruição do pau-brasil, a prática da agropecuária monopolista voltada à exportação (como cana, gado e café), o chamado ciclo do ouro. No passado recente, a agricultura predadora praticada por brasileiros e imigrantes. No presente, o chamado agronegócio: a exportação de carne, soja, açúcar, celulose têm impactos perigosíssimos sobre o meio ambiente. Ademais, desrespeita direitos de indígenas e quilombolas, ribeirinhos e população empobrecida em geral. O vazamento de combustível e outras substâncias tóxicas, aliadas a resíduos atômicos, põem em risco a vida de milhões de pessoas. Energia atômica e armas biológicas nas mãos de insensatos ameaçam a vida. Após mais de 60 anos das bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki, ainda há quem sofra seus efeitos. Os desfolhantes atirados no Vietnã ontem, as fumigações hoje na Amazônia colombiana contaminam imensos rios ameaçando a sobrevivência de muitos povos indígenas. O planeta terra corre o risco de não ser mais habitável.

A realização da 7ª edição do Fórum Social Mundial em Nairóbi (Quênia) ensejou um olhar mais humano sobre o continente africano tão depredado e desprezado. Enquanto se realizava importante reunião internacional sobre mudanças climáticas, em Gana a maioria da população não tinha acesso a água potável. A AngloGold Asshanti e outras empresas multinacionais de mineração de ouro contaminaram com cianeto seus rios e lençóis freáticos. As populações que até então viveram da caça, da pesca e da agricultura de subsistência já não têm como sobreviver. Tentaram se defender, mas desde 2005, duas pessoas foram assassinadas e 15 feridas pelas forças de segurança dessas empresas. No Brasil, rios e lençóis freáticos secaram devido à ação da Aracruz celulose com o plantio de eucalipto em larga escala, inclusive utilizando recursos públicos.

Em compensação, a ambientalista africana Wangari Maathai, prêmio Nobel da Paz, iniciou uma grande campanha para plantar milhões de árvores nativas para preservar os diversos biomas. A ministra Marina Silva foi indicada para receber, com outras seis pessoas, o maior prêmio das Nações Unidas: Campeões da Terra 2007, criado em 2004 e a ser outorgado em cerimônia no dia 19 de abril, em Cingapura. Achim Steiner, sub-secretário da ONU e diretor-executivo do PNUMA (Programa das Nações Unidas pelo Meio Ambiente) elogiou a contribuição de Marina Silva pela queda de mais de 50% na taxa do desmatamento da Amazônia, “um resultado dos novos processos governamentais implementados”.

É uma esperança, mas é pouco: a ação da Aracruz Celulose, do agronegócio e das obras faraônicas, o uso indiscriminado de agrotóxicos e combustíveis continuam desequilibrando o meio ambiente e ameaçando a sobrevivência do planeta. Urge uma educação para superar a cultura do desperdício que ameaça a sustentabilidade, agora já, antes que seja tarde.

A autora, Iolanda Toshie Ide, é colaboradora de Opinião

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