Polícia

Distribuição de manifesto é anunciada

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Uma pessoa afirmando ser detento telefonou para o JC ontem para informar as razões que levaram a comunidade carcerária a aderir à “greve branca”. Também transmitiu a reportagem o conteúdo completo do manifesto que deve ser distribuído a partir de hoje para a população.

Com ele, os detentos esperam chamar a atenção do Poder Judiciário e Legislativo para que as leis penais sejam respeitadas. Cita casos de suposta tortura reincidente - com destaque para as unidades de Presidente Venceslau e Presidente Bernardes. Também denuncia tratamento desumano e degradante aos familiares dos presos, que estariam sofrendo constantes constrangimentos.

“É hora de abrirmos os olhos e nos unirmos em prol da paz almejada por todas as classes sociais”, diz o texto. A seguir, trechos da entrevista com o preso:

JC – Quem fala?

Detento - Estou falando com você de dentro de um presídio do Estado de São Paulo. Sou uma pessoa que está vivendo diretamente (a situação).

JC - Bauru aderiu ao movimento?

Detento - Várias cidades do Interior de São Paulo aderiram, mas não só no Interior, como na Capital.

JC - O que está havendo?

Detento - A gente vê aí no dia-a-dia o que ocorre quando as pessoas vão se manifestar pelo direito delas. A polícia de São Paulo é completamente despreparada e age de forma violenta contra trabalhadores que não atentaram contra a lei, que não cometeram nenhum crime.

JC - E com vocês?

Detento - Agora você imagina com a gente aqui dentro, que vocês não têm acesso (ao que acontece) ou quando tem, recebem informações mentirosas. É difícil alguém dar oportunidade de ouvir o nosso lado.

JC - A “greve branca” e as faixas foram organizadas pelo PCC?

Detento - Existem algumas pessoas que tomam a iniciativa (mas se a causa não é justa, não vinga). Quando a causa é verdadeira, as pessoas que estão do lado acabam entrando e aderindo à causa. Todos estão aderindo. Essa é uma luta de toda a comunidade carcerária.

JC - Das famílias também?

Detento - A família dos presos também está aderindo. Elas estão sofrendo todo tipo de ameaça, estão sendo desrespeitadas. Inclusive nós temos um manifesto nas mãos que vai ser liberado na rua amanhã (hoje).

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