Bocaina - A desativação da usina de reciclagem de lixo em Bocaina (69 quilômetros de Bauru) pode comprometer o tempo de vida útil do aterro sanitário da cidade, construído no antigo sistema de valas. A usina, localizada próxima ao aterro, deixou de funcionar há cerca de um mês, após vencer o contrato entre prefeitura e uma empresa terceirizada que gerenciava o local.
A assessoria de imprensa da prefeitura, no entanto, garante que o lixo continua a ser separado e que os materiais recicláveis estão sendo enviados para outras cidades. “Está sendo selecionado e vendido para empresas de outras cidades, como Jaú, por exemplo”, informou a assessoria. O barracão da usina tem 320 metros quadrados de área e abriga equipamentos pertencentes ao município.
A preocupação, no entanto, é que, com a desativação da usina, os problemas do aterro sanitário sejam agravados, caso aumente o volume de lixo despejado no local. “Se o município não reciclar, a vida útil dessa área de atividade ao ar livre - para disposição em valas - vai ser menor”, lembra Alcides Braga, gerente da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb).
Em novembro do ano passado, técnicos da Cetesb chegaram a advertir o município sobre as condições do lixo que estava sendo disposto de maneira inadequada no aterro. No entanto, em nova inspeção, em dezembro último, as condições do aterro foram avaliadas de forma satisfatória pelo órgão.
“O lixo estava disposto de maneira inadequada, espalhado por toda a área sem cobertura de terra, com urubus e moscas em quantidade. Mas uma nova inspeção em dezembro avaliou que melhoraram as condições e não chegou a dar multa, só advertência. A prefeitura adequou o local”, lembra Braga.
Ele ressalta, no entanto, que uma nova inspeção será feita em breve no aterro que está localizado no quilômetro 7 da vicinal Alfredo Sormani Júnior, que liga Bocaina à entrada da rodovia Bariri-Jaú.
O terreno onde o lixo é despejado tem cerca de 33 mil metros quadrados sendo que, destes, somente 25 mil metros quadrados estão liberados para fazer as valas (buracos). O processo correto exige que o lixo seja depositado nessas valas (de 3 a 4 metros de profundidade) e coberto com terra em seguida.
O gerente da Cetesb explica que os aterros sanitários, que funcionam no sistema de vala, foi uma alternativa oferecida pelo órgão para os municípios com até 30 mil habitantes e que têm dificuldades para dar um destino melhor aos seus resíduos urbano.
“As prefeituras alegavam que eram dificultosos os trabalhos de fazer um aterro. Então, em 1998, quando elas assinaram o termo de ajustamento de conduta para resolver o problema do lixo - na época era tudo lixão a céu aberto -, a própria Cetesb forneceu o projeto de um aterro em valas”, conta Braga.
Bocaina conseguiu a licença de operação do aterro em 2002. A vida útil do aterro, segundo Braga, é de oito anos.
Segundo a assessoria da prefeitura, o barracão da usina será reformado e ela deve entrar em funcionamento novamente.