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Presos mantêm protesto em 80 unidades

Por Da Redação | Com Folhapress e Agência Estado
| Tempo de leitura: 4 min

São Paulo - Presos de unidades de São Paulo mantiveram ontem o protesto que eles mesmos chamaram de “greve branca”, de acordo com a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP). Anteontem, primeiro dia do protesto, o movimento atingiu 80 das 144 unidades prisionais do Estado. Até o fechamento desta edição, a secretaria não havia divulgado novo balanço.

Com o movimento, os presos se recusam a sair para audiências em fóruns e para o trabalho. Os serviços de alimentação, lavanderia e atendimento médico estão mantidos. De acordo com a SAP, não há registro de incidentes nas unidades envolvidas no protesto.

Detentos do complexo Campinas-Hortolândia, a 94 quilômetros da Capital, se recusaram ontem, mais uma vez, a tomar banho de sol, receber correspondências, serem atendidos por advogados e psicólogos, e fazerem trabalhos internos. Até quarta-feira havia 5.100 mil presos em dois Centros de Detenção Provisória (Campinas e Hortolândia) e duas penitenciárias (P1 e P2 de Hortolândia).

Segundo informou o presidente do Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional do Estado de São Paulo (Sifuspesp), João Rinaldo Machado, o protesto tem sido pacífico e nenhum funcionário do complexo Campinas-Hortolândia havia sido ameaçado até ontem.

Na Cadeia de Barretos, a 425 quilômetros de São Paulo, cerca de 30 presos participaram de uma rebelião, anteontem à noite. O tumulto foi gerado devido à proibição de entradas de sacolas enviadas por parentes fora dos horários e dias permitidos. Os detentos atearam fogo em colchões e quebraram lâmpadas.

A rebelião durou cerca de três horas e foi controlada com a presença do Grupo de Operações Especiais (GOE), da Polícia Civil. O delegado seccional de Barretos, João Osinski Júnior, considerou a rebelião “uma afronta ao poder do Estado”. A cadeia tem capacidade para 45 presos e tem 69 detentos.

O motivo do protestoo em 80 das 144 unidades prisionais do Estado não foi confirmado. Uma das possibilidades seria a suspeita de maus-tratos na penitenciária 2 de Presidente Venceslau (620 quilômetros de São Paulo) - unidade que abriga integrantes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

No último dia 6, uma vistoria foi feita na unidade e alguns presos foram trocados de cela. Dois deles, Gegê do Mangue e Abel Pacheco de Andrade, o Vida Loka, ambos ligados à facção, se recusaram a deixar suas celas e houve um tumulto. Segundo a secretaria, vidros foram quebrados. Na ocasião, 13 porções de maconha, quatro celulares e chips foram apreendidos na unidade. A SAP afirma não ter informações sobre maus-tratos e informou que o Ministério Público investiga a denúncia.

Já alguns funcionários do sistema prisional disseram acreditar que o protesto foi causado porque, na última segunda-feira, o homem apontado como um dos maiores contrabandistas do País, Law Kin Chong, foi autorizado a deixar a Penitenciária José Parada Netto, em Guarulhos (Grande São Paulo) e ir à Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Law teria ido visitar o pai, que está internado. Os demais presos teriam se revoltado em razão de o prisioneiro ter ido ao hospital, escoltado por mais de dez PMs, dentro de uma ambulância e não em um carro especial para transportar detentos.

Na versão dos funcionários, os presos afirmam que houve privilégio a Law. Isso porque, muitas vezes, presos doentes deixam de ser removidos das penitenciárias onde estão porque a Administração Penitenciária alega falta de condições de segurança para retirá-los dos presídios. Questionado por escrito pela reportagem, o secretário da Administração Penitenciária, Antonio Ferreira Pinto, não se manifestou sobre o suposto privilégio concedido a Law.

Faixa do PCC

Dois rapazes de 23 e 29 anos e um adolescente de 17 foram detidos na madrugada de ontem ao pendurarem uma faixa de protesto em favor de presidiários, sobre a ponte Júlio de Mesquita Neto, na marginal Tietê (zona norte de São Paulo). Na delegacia, os três teriam dito que o PCC pagou R$ 500,00 a cada um pelo serviço.

De acordo com a polícia, a faixa pedia o “fim da opressão” nas penitenciárias de Presidente Venceslau e Presidente Bernardes, no Interior do Estado. As duas unidades concentram os líderes da organização criminosa. Em Bernardes, inclusive, parte deles está sob o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), que impõe regras rígidas aos presos.

O adolescente acabou sendo liberado, mas os dois rapazes - identificados como Cleyton Maciel da Silva, 23 anos, e Juliano dos Santos, 29 anos - foram presos. Com eles foi encontrado um revólver calibre 38, ainda de acordo com a polícia. Os dois foram indiciados por porte ilegal de arma, formação de quadrilha e corrupção de menores, além de ato infracional.

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