Economia & Negócios

Horário de verão termina com críticas do comércio e indústria

Luiz Galano
| Tempo de leitura: 3 min

O horário de verão termina hoje, quando à meia-noite os relógios deverão ser atrasados em uma hora. Apesar de ser utilizado com o intuito de reduzir o consumo de energia elétrica e modificar o horário de pico na transmissão energética, população, lojistas e representantes do setor industrial têm restrições quanto às vantagens e eficácia econômica do horário especial.

Em vigor desde 5 de novembro do ano passado, em sua 33.ª edição o horário de verão durou 112 dias. De acordo com a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), durante o período houve melhor aproveitamento da luz solar (com dias mais longos). O órgão afirma ter contabilizado redução de 0,9% no consumo de energia elétrica total e de 4,5% nos horários de pico de transmissão.

O montante equivale à economia de 72.394 MW/h nas 234 cidades do Interior paulista atendidas pela CPFL. Segundo a empresa, com a quantidade de energia elétrica economizada, Bauru poderia ser abastecida durante 39 dias ininterruptamente.

Apesar das afirmações da companhia, população, comerciantes e industriais afirmam não sentir os efeitos benéficos do horário de verão. Baseado em sua experiência profissional, o diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Ricardo Coube, acredita que a economia de energia durante o período não é tão grande assim.

“Durante a época em que o horário está em vigor, existe uma mudança comportamental natural dos hábitos tanto industriais quanto do comércio e da população. Há uma redução natural no consumo durante esse período, porque há diminuição da produção em virtude da proximidade das festas e do excesso de feriados”, afirma. “Creio que os números não seriam tão diferentes caso o horário de verão não estivesse em vigor”, aponta.

Uso racional

O empresário defende trabalhos de conscientização para o uso racional da energia elétrica e acredita que o horário de verão é prejudicial ao trabalhador da indústria. “Acredito que esta economia não vale o sacrifício dos trabalhadores, principalmente das fábricas, que mudam completamente o ritmo diário. Defendo campanhas de economia, como ocorreu durante o período de apagão, quando a redução do consumo chegou à ordem de 30%”, diz.

O comércio também não sente bons efeitos. Na opinião de Gérson Flávio Gonçalves, gerente de loja no Calçadão, o horário de verão é ruim tanto para comerciantes quanto para consumidores, pois o sol forte no final da tarde espantaria os clientes que costumam fazer compras das 14h às 17h. “Quando não estamos no horário de verão é mais fresco, o que atrai mais clientes”, revela.

De acordo com ele, nem mesmo durante o período de fim de ano, quando o comércio ficou aberto até as 22h, o movimento foi maior no período entre 17h e 20h. “Para a gente não mudou muito. O pessoal continuou vindo nos horários de sempre, quando o sol está mais baixo”, conta.

João César Carlos, proprietário de loja de produtos naturais no Centro da cidade, atenta para outro problema. Para ele, a economia de energia seria ilusória. “Com os dias mais longos, acendemos a luz mais tarde. No entanto, o sol forte e o excesso de calor fazem com que deixemos o ar condicionado ligado por mais tempo”, lembra.

O ambulante Osvaldo Evaristo Filho também reclama do sol forte e do calor. “A única coisa que melhora é na venda de refrigerantes, no final da tarde. Mas no final do mês não dá nem para sentir a diferença no lucro. O aumento não chega a 5%”, calcula.

“É bom porque dá para fazer mais coisas durante o dia. Mas a gente vai dormir mais tarde do que o habitual. Com isso a luz demora para ser ligada, mas também demora para ser desligada. Acho que não muda muita coisa”, opina o massagista João Batista Silveira, conhecido como Fumaça.

Jéssica Evelyn Cardoso, vendedora, aprova o horário de verão. Para ela, a principal vantagem é poder ir à escola ainda com a luz do dia. “Como estudo à noite, é bom para chegar até a escola com as ruas claras. No entanto, o efeito é contrário para quem estuda de manhã”, lembra.

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