Mais seis faixas com mensagens de defesa dos presos apareceram em Bauru ontem. Por volta das 7h, uma pessoa informou policiais da Base Comunitária Leste que havia uma faixa estendida no alambrado de uma escola municipal da quadra 8 da rua Adaucto de Carvalho, no Núcleo Mary Dota. Policiais foram até o local e recolheram o material.
Logo depois, descobriram que na avenida Marcos de Paula Raphael, no mesmo bairro, havia outras cinco faixas também com dizeres de apoio aos presos e “pelo fim da tortura e da opressão nos presídios”. Todas foram retiradas e levadas ao 2.º Distrito Policial, onde foram apreendidas. Entre o final da tarde de quarta-feira e a quinta-feira, outras noves faixas semelhantes foram recolhidas pela polícia na cidade.
Ainda na quinta-feira, um muro no Jardim Redentor apareceu pichado com mensagem semelhante. Apesar do surgimento de outras seis faixas, o dia foi tranqüilo em Bauru. Para o delegado seccional José Doniseti Pinesi, as faixas são manifestações pacíficas, assim como a “greve branca” nos presídios.
“Não sabemos ainda se (as faixas) foram colocadas a mando do PCC (Primeiro Comando da Capital) ou não, mas as mensagens não fazem apologia ao crime. A manifestação é um direito, tanto que as pessoas flagradas com a faixa não foram presas”, afirma.
Já o coordenador operacional do 4.º Batalhão da Polícia Militar do Interior (4.º BPMI), capitão Jorge Duarte Miguel, afirma que é preciso apurar quem instalou as faixas com mensagens de defesa aos presos e qual a ligação dessas pessoas com detentos. Mas ressaltou que as faixas não preocupavam a PM. “Possivelmente essas faixas são atos esporádicos”, diz.
O que representa o surgimento de faixas com mensagens semelhantes em Bauru e outras cidades, seria uma nova forma de ação do PCC? A facção criminosa, que no ano passado foi responsável por três ondas de ataques a ônibus, a prédios públicos e a policiais e a agentes penitenciários, estariam mudando de tática? Qual seria o objetivo dos idealizadores das faixas uma vez que as mensagens não são endereçadas a uma pessoa ou a um órgão e não é uma ordem nem um pedido?
É fato que o surgimento de faixas com mensagens semelhantes em várias localidades revela organização, que pode envolver presos, do PCC ou não, seus familiares e ex-detentos. Porém, até onde se tem conhecimento, não há outro grupo no sistema prisional com articulação suficiente e com interesse em defender detentos de presídios da região oeste do Estado, onde estão confinados a liderança do PCC, a não ser a própria facção.