Botucatu - Completa oito dias hoje a greve dos médicos da maternidade do Hospital Regional Sorocabana e não há previsão para um acordo. Em reunião realizada ontem, na Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu (100 quilômetros de Bauru), ficou decidido que os médicos da maternidade vão se reunir na próxima segunda-feira para discutir a situação da diferença salarial que reivindicam. A greve dos médicos do setor de obstetrícia do Sorocabana teve início no último sábado.
A reunião de ontem contou com a presença do diretor-técnico do Departamento Regional de Saúde (DRS-6), Carlos Alberto Macharelli, do diretor administrativo do Hospital Sorocabana, Agostinho Gonçalves, além de médicos e representantes da Unesp.
“A faculdade e a Secretaria de Saúde já têm um montante que ela dá por conta deste convênio. O que falta é a contrapartida do Sorocabana. O que nós decidimos na reunião foi exigir uma posição do hospital se ele vai dar a contrapartida ou não. Se nós somos parceiros precisamos saber isso”, explica Macharelli.
Segundo ele, a diferença para cobrir o reajuste dos médicos gira em torno de R$ 9 mil a R$ 10 mil. “Objetivamente, o problema da greve é do Sorocabana. Só atingiu a faculdade por uma questão de seu convênio estar em vigência. A parte dela, ela fez. Faltou a outra parte que a faculdade não pode gerenciar, então depende deles (do Sorocabana)”, alega o diretor-técnico da DRS-6.
Ouvido pela reportagem, Gonçalves, diretor administrativo do Sorocabana, explicou que na reunião da próxima segunda-feira os médicos deverão “achar um denominador comum” para solucionar o problema.
“Há uma certa defasagem no valor que eles recebem e não está sendo possível atender. Já faz tempo que eles não têm reajuste. Só que de onde tirar esta verba, se Estado e União não aumentam este valor? Está difícil e nós vamos ter que sacrificar alguma coisa para poder resolver o problema deles”, diz Gonçalves, sem especificar o que poderia ser “sacrificado”.
Segundo ele, cerca de 90 médicos, em média, atuam no Sorocabana. Eles querem reajuste no valor da diária que estaria hoje em R$ 320,00. Segundo Gonçalves, eles estariam reivindicando uma diária de R$ 380,00. O diretor do hospital explica que, dos 40 médicos que estavam em greve, apenas alguns ainda não retornaram às atividades. “Muitos deles, usando de bom senso, já retornaram ao hospital e apenas poucos ainda estão parados, mas acredito que vão acabar retornando porque a nossa prioridade é encontrar um denominador que satisfaça a todos”, diz.
O convênio firmado entre o Sorocabana e a Unesp tem uma década de existência e, segundo Macharelli, é de interesse de ambos os lados continuar com o acordo. “É tudo dividido irmanamente, sendo que o convênio cobre boa parte e sobra um pouco para o Sorocabana (bancar). É isso que o Sorocabana tem que ver. O que nós descobrimos na reunião é que há interesse por parte da faculdade e também deles (do hospital) em continuar com o convênio, porque é uma coisa boa para ambas as partes e principalmente para a população”, conclui Marcharelli.
A reunião, marcada para as 9h30 da próxima segunda-feira, será comandada pelo diretor clínico do Hospital. Do encontro deverá sair uma proposta para o impasse.
“A Unesp já está sobrecarregada com seus encargos. Praticamente, eles pediram para o Sorocabana gerir o problema. Mas nós também temos encargos altos”, completa Gonçalves.