Bairros

Trabalho com adultos é diferenciado

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 2 min

O trabalho de alfabetização é extremamente desafiador para a maioria dos educadores que atuam no curso de educação de jovens e adultos (Ceja) de Bauru. Eles têm de superar diversos obstáculos para que sua tarefa alcance êxito.

“Lecionar para pessoas nessa faixa etária é mais difícil do que dar aulas para crianças”, acredita Idalina Aparecida Rover, diretora da divisão de educação de jovens e adultos da Secretaria Municipal de Educação.

O primeiro problema que o educador tem de enfrentar, de acordo com ela, é o conflito de idéias existente no interior da sala de aula. “Numa classe só de crianças, por mais diferentes que elas sejam entre si, costuma haver mais homogeneidade. Na infância, os gostos e opiniões individuais ainda não estão cristalizados”, pensa.

Essa dificuldade é sentida pela maioria dos professores que fazem parte do programa. Marilene Franco de Souza está há 20 anos no projeto. Atualmente ela é diretora do Ceja. “Numa sala de aula existem tanto adolescentes de 15 anos quanto idosos com mais de 80. É preciso muita paciência e respeito com o jeito de ser de cada um”, diz ela.

De acordo com Rover, a maior parte dos conflitos de opinião costuma vir da parte dos jovens. “Às vezes, alguns entram na sala, dão uma olhada e dizem: ‘Eu não vou ficar nessa sala cheia de velhos’”, explica.

Para minimizar os problemas, os professores usam de muita serenidade e jogo de cintura. “Para trabalhar com jovens e adultos é preciso ter calma. Não adianta eu chegar lá na frente e me colocar como autoridade. Tenho de mostrar que sou amiga e não estou ali apenas para ensinar, mas também para aprender”, afirma Marina Cristianini, 58 anos, que trabalha desde 1989 no Ceja.

“Desde que entrei para o projeto nunca tive problemas com meus alunos”, garante. Ela considera o trabalho com os adultos gratificante. “De vez em quando, aparece alguém que diz: ‘Não sou capaz de aprender’. Respondo na hora: ‘Você consegue sim. Tenho certeza disso.’ No final a pessoa consegue obter sucesso”, diz ela.

Todo esse incentivo é essencial para os alunos. Quando era jovem e vivia na Bahia, o cozinheiro Jonas Guimarães Neves não gostava muito de ir à escola. Hoje, aos 35 anos, morando no Jardim Ferraz, ele está animado por freqüentar as aulas do Ceja. “Parece que agora ficou mais fácil de aprender”, diz.

Comentários

Comentários