Cultura

Audiência de ‘Pé na Jaca’ decepciona nos 29 pontos

Por Juliana Alencar | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Com o elenco estrelado e a assinatura de Carlos Lombardi, autor de grandes sucessos do horário das sete da Globo, “Pé na Jaca” estreou com a difícil missão de manter a média no Ibope deixada por sua antecessora, “Cobras & Lagartos” - que acabou com média de 40 pontos. Três meses depois, a novela não só não conseguiu segurar a audiência como tem penado para mantê-la na casa dos 29 pontos no Ibope - o índice é abaixo dos 35, a meta do horário, mas semelhante ao de duas das cinco produções que ocuparam a faixa ultimamente.

No mês de estréia, “Pé na Jaca” conquistou 35 pontos e, desde então tem cravado 29. É o índice mais baixo desde “Bang Bang” (2005) e o pior desempenho das novelas de Lombardi dos anos 90 para cá - suas últimas tramas, “Kubanacan” (2003) e “Uga Uga” (2000), recuperaram a audiência do horário, e “Quatro por Quatro” (1994) é até hoje a segunda maior audiência da faixa das sete desde os anos 90.

Os especialistas consideram a trama a mais fraca do autor. “É cedo para se falar em nova ‘Bang Bang’ (trama de Mario Prata que patinou na audiência e foi recuperada por Lombardi, que conseguiu deixá-la na casa dos 30 pontos), mas a queda da audiência pode ser um sinal do esgotamento do estilo. Talvez o ritmo frenético e o Marcos Pasquim sem camisa tenham cansado”, opina Maria de Lourdes Motter, do núcleo de teledramatugia da Universidade de São Paulo (USP).

Para Motter, o folhetim peca ainda por não ter um enredo consistente e bem definido. “Em todas as novelas recentes do Lombardi, havia um fio que conduzia a ação dos personagens na trama. Em ‘Pé na Jaca’, é difícil reconhecê-lo. Isso dificulta a fidelização do público, que não fica instigado a acompanhar a novela diariamente”, diz ela, que observa ainda a indefinição do caráter dos personagens.

“Está demorando, por exemplo, para Elizabeth (Deborah Secco) virar malvada de verdade. Tem prejudicado o andamento.”

Especialista da USP, Claudino Mayer concorda. Para o estudioso, a novela está muito focada em Lance, personagem de Pasquim, e ele encarna um mocinho sem motivações claras. “Parece que tudo funciona em função dele, só que a história ainda não ficou óbvia para o telespectador. Ninguém sabe o que ele persegue.”

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