Os médicos são unânimes quanto a importância dos exames preventivos para uma vida mais saudável e duradoura. Mas eles também fazem questão de afirmar que nada substitui uma boa conversa com o paciente. Só assim é possível fazer uma avaliação criteriosa e individualizada e saber os antecedentes de doença na família. Segundo o geriatra Guilherme Pupo Ferreira Alves, assim fica mais fácil direcionar os exames.
“A avaliação mais importante sai do contato entre médico e paciente. É em cima das informações que ele recebe que o médico vai decidir quais exames são necessários. Essa é a forma que sempre utilizei nos meus 25 anos de vida profissional”, conta ele.
Segundo Alves, dentro da área dele (geriatria) a avaliação médica tem de ser constante. E os exames precisam ser levados a sério pelos pacientes se quiserem alguma melhora. “Não adianta fazer um monte de exames e continuar com um ritmo de vida ruim, não fazer atividades físicas e se alimentar mal. Fazer exames apenas por fazer não resolve absolutamente nada”, afirma ele.
O também geriatra e reumatologista Júlio Rodrigues Horta Filho concorda que é preciso levar em conta a história familiar do paciente para direcionar os exames. Pessoas com histórico de mortes na família por doenças no coração ou problemas com osteoporose precisam de atenção especial.
A tese é defendida também pelo cardiologista Rubens Cury. Segundo ele, as doenças cardiovasculares estão entre as que mais matam. E em breve deve ser a principal causa de morte em todo o mundo.
Segundo ele, para um diagnóstico preciso primeiro é preciso conhecer a vida do paciente, depois a vida de seus parentes. De acordo com o cardiologista, antes de solicitar os exames é indispensável conhecer quais são os hábitos individuais de seus pacientes com alimentação, se ele é sedentário, se fuma e qual o grau de estresse a que está exposto regularmente, seja no trabalho ou em casa. Só assim é possível saber quais exames devem ser feitos. “Não há tecnologia capaz de substituir a relação entre médico e paciente”, afirma Cury.
Os fatores de risco para doenças coronárias são classificados em tratáveis e não-tratáveis. Os tratáveis compreendem: tabagismo, hipertensão arterial sistêmica, LDL-colesterol alto, HDL-colesterol baixo e diabetes. Os não-tratáveis compreendem: sexo (feminino e masculino), o histórico familiar e a idade.
As queixas mais comuns de quem sofre com problemas cardíacos é a palpitação, coração acelerado ou fora de ritmo, dor no meio do peito podendo irradiar para o queixo e membros superiores, fadiga e cansaço desproporcional à atividade exercida, ou seja, sentir-se cansado em percorrer um pequeno trajeto que até então era percorrido sem nenhum esforço extra.
Caso algum desses sintomas sejam sentidos, a recomendação é procurar um médico imediatamente. Segundo Cury, em caso de infarto, se o paciente for atendido dentro das duas primeiras horas o risco de morte diminui bastante.