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Bauru mantém apenas 15% da área de cerrado, diz Embrapa

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Levantamento inédito realizado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Cerrados, utilizando fotos de satélites para determinar as áreas remanescentes da vegetação, apontou que o País mantém preservada 61% da área original da mata. Porém, no Estado de São Paulo situação é crítica em municípios onde a área urbana é maior. O cerrado foi bastante danificado. Pela pesquisa, Bauru mantém apenas 15% da vegetação. Originalmente, 96% do território do município era coberto pelo cerrado

Os resultados do projeto “Mapeamento de remanescentes de cobertura vegetal natural do Cerrado”, coordenado pelo pesquisador Edson Eyji Sano, da Embrapa Cerrados, avalia que a porcentagem de área remanescente do bioma cerrado é de 61,2%. O estudo foi financiado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) e Banco Mundial. Foram mapeados pelo satélite Landsat do Cerrado 204,7 milhões de hectares através de 114 imagens – a maioria obtida em 2002. Cada uma delas cobria 185 quilômetros por 85 quilômetros.

Uma equipe de 14 bolsistas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), pesquisadores da Embrapa Cerrados, Universidade Federal de Uberlândia e Universidade Federal de Goiás participaram do projeto, que ainda está pesquisando quais formações vegetais podem ser encontradas na área remanescente.

O resultado apresentado pela Embrapa apontou uma diferença em relação ao divulgado em 2004 pela organização não-governamental (ONG) Conservação internacional (CI). De acordo com Sano, as imagens de satélite utilizadas pela Embrapa são mais precisas do que as obtidas pela CI. Segundo os dados da ONG, apenas 45% da vegetação nativa do cerrado está preservada.

Outro fator, explica Sano, é o conceito utilizado para se classificar área remanescente. “Pelo MMA, é a área primitivada vegetação”, observa o pesquisador. Segundo ele, 13% da área do cerrado é utilizada para pastagens e esse espaço não era contabilizado pelos levantamentos anteriores.

Para Sano, o levantamento é bem fiel à realidade. “O tipo de imagem obtida pelo satélite fornece um bom nível de detalhamento. Os outros eram mais gerais”, avalia. A pesquisa, acredita o coordenador, poderá ser utilizada como base para outros estudos.

O projeto deverá ser utilizado em áreas de preservação prioritárias. “Será possível identificar com maior precisão áreas que representem a biodiversidade do bioma”, aponta o coordenador. De acordo com Sano, o ritmo de desmatamento do cerrado estabilizou. “A curva de desmatamento atual do cerrado estagnou”, afirma. Mas o pesquisador informa que, nos municípios de São Paulo, essa vegetação foi bastante devastada. “São municípios onde a área urbana corresponde a quase metade do território”, calcula.

Uma utilização imediata para a pesquisa, afirma Sano, é sobre a utilização de áreas para a produção de alimentos. “Agora temos condições de apontar áreas que poderão ser destinadas ao cultivo. É feito um estudo para avaliar o nível de degradação e depois a integração entre lavoura e pecuária”, explica o pesquisador.

A sugestão de Sano é o revezamento de partes da propriedade entre cultivo de leguminosas para recuperar o solo com a fixação de nitrogênio e a pecuária. “O agricultor tem a fonte de renda da produção de grãos e também dos animais”, avalia Sano.

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