Campo Grande - O procurador da República em Cuiabá (MT) Mário Lúcio Avelar pedirá mais investigação da Polícia Federal (PF) no dossiegate, que envolveu petistas na compra de dossiê contra políticos tucanos.
Após parecer, na sexta passada, do procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, o inquérito sobre o caso voltará à Justiça Federal de Mato Grosso. Souza recomendou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a anulação do indiciamento do senador Aloizio Mercadante (PT-SP) no inquérito. “A tendência é pedir mais investigação”, disse Avelar, que ainda tentará chegar à origem de R$ 1,168 milhão e US$ 248,8 mil, quantias apreendidas pela PF em setembro passado no hotel Ibis, em São Paulo.
O dinheiro seria usado, segundo a PF, na compra do dossiê que tentava comprometer tucanos com a máfia dos sanguessugas. Com a volta do inquérito a Mato Grosso, Avelar ficará responsável pela denúncia contra os demais indiciados no caso.
O inquérito foi remetido no fim de dezembro ao STF porque Mercadante, como senador, tem foro privilegiado. A PF havia indiciado por crime eleitoral o senador e também o tesoureiro dele na campanha ao governo de São Paulo, José Giácomo Bacarin. Conforme a PF acusou no inquérito, o dinheiro em reais para compra do dossiê saiu de caixa dois da campanha do senador. A quem pertencia os dólares não foi apontado no inquérito. Sabe-se que foram sacados na casa de câmbio Vicatur, do Rio, em nome de laranjas.
Agora também a investigação sobre a origem do dinheiro em reais voltou a estaca zero, pois o procurador-geral da República diz, em seu parecer, que não “há um único elemento” para acusar Mercadante.
Avelar disse que espera o regresso do inquérito a Mato Grosso para decidir qual o rumo da investigação. Por enquanto, o procurador prefere não dar declarações. A reportagem apurou, porém, que o Ministério Público Federal considera difícil achar provas sobre a origem do dinheiro cinco meses após a apreensão da quantia.
Ainda no inquérito, por decisão da PF, três envolvidos que atuaram na campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva se livraram: Jorge Lorenzetti, Osvaldo Bargas e Expedito Veloso. Por lavagem de dinheiro, foram indiciados o advogado Gedimar Pereira Passos e o empresário de Cuiabá (MT) Valdebran Padilha, que estavam com dinheiro no hotel. Padilha era um emissário de Luiz Antônio Vedoin, chefe da máfia dos sanguessugas. Também por lavagem foi indiciado Hamilton Lacerda, então coordenador de campanha de Mercadante. Ele nega.