Política

Fio: alvo de Purini era o Clemente

Da Redação
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Terminou em troca de acusações e promessas de ações penais e indenizatórias os depoimentos à Comissão Especial de Inquérito (CEI), ontem, dos principais personagens no episódio da gravação de conversa que tratou sobre veiculação de matéria no jornal Atalho, em 2005, com a participação no diálogo do ex-secretário das Administrações Regionais (Sear) Nélson Fio, do vice-prefeito Renato Purini e da jornalista do periódico Maria Inês Ferreira. O ex-secretário atacou Purini e disse que este agiu de forma irresponsável ao gravá-lo em conversa onde o alvo seria o presidente do Departamento de Água e Esgoto (DAE), José Clemente Rezende.

O resultado de mais de sete horas de depoimentos à Comissão de Inquérito foi a troca de farpas e de acusações de responsabilidades. Para Nélson Fio, o vice-prefeito e então presidente da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb) Renato Purini fez a gravação de conversa mantida entre eles e a jornalista Inês Ferreira, com a participação do então diretor de limpeza pública da empresa municipal, Jorge Monteiro, para tentar buscar informações contra Clemente. “Ele não podia me usar para tentar atingir outra pessoa, o Clemente. Vou na Justiça para resolver isso contra o Renato. Eu não faria isso. O Purini pensou: Vou pegar o Clemente. Então fizeram essa armação. Não é justo. O Renato quis dar o troco no Clemente”, desabafou o ex-secretário aos membros da comissão.

Para entender as desavenças políticas que envolvem o episódio é preciso voltar ao período em que Purini e Clemente eram vereadores, na legislatura passada. Purini passou a ter Clemente como desafeto desde o período em que o atual presidente do DAE afirmou, em depoimento à época, que o vice-prefeito teria cometido irregularidade na contratação de assessora parlamentar que não estaria prestando serviços no Legislativo.

Passado o episódio, Purini teria sido informado que o DAE teria indicado empresa para patrocinar matéria institucional da autarquia, em 2005. O presidente da Emdurb, então, gravou diálogo que manteve com a jornalista Inês Ferreira e Nélson Fio para tentar levantar essa informação. Agora este fato está sendo apurado pela CEI que também investiga irregularidades em despesas da Sear.

Mas Purini disse à CEI que fez a gravação para se preservar, já que se diz atacado pelo Jornal Atalho, de propriedade de Inês Ferreira. “O Jornal Atalho vinha fazendo matérias para denegrir a minha imagem e para não correr o risco de ser acusado de tentar comprar matéria resolvi gravar para me resguardar. A gravação deixa bem claro que a jornalista fez oferta para que eu pagasse matéria para falar bem da Emdurb. Tinha até tabela de preço e eu gravei para não ver os fatos invertidos depois. Eu não marquei reunião, a jornalista é quem insistiu para ter a reunião. Eu indaguei sobre como fez matéria no DAE e sobre como seria na Emdurb para ficar claro que ela estava vendendo matéria”, resume o vice-prefeito.

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