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Em dois meses, casos de dengue já somam a metade do total de 2006

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Em apenas dois meses, Bauru já soma metade do total de casos de dengue registrados em 2006. Ontem, o Instituto Adolfo Lutz confirmou mais dez novos casos da doença na cidade, elevando para 27 o número de pessoas infectadas com dengue neste ano. No ano passado, 54 casos foram registrados. A Vila Universitária concentra a maioria das notificações, com dez pessoas infectadas. Dos 27 casos registrados em 2007, 12 são importados (pessoas que se contaminaram em outros locais) e 15 pacientes foram contaminados em Bauru. No ano passado foram 24 autóctones, 28 importados e dois casos de pessoas em trânsito.

O secretário municipal de Saúde, Mário Ramos, avalia que apesar dos números de Bauru estarem altos, muitos casos são trazidos de outras cidades. “O surto está muito alto em Lins, São José do Rio Preto e também no Mato Grosso. Os que vêm de fora é complicado segurar. Estamos tentando controlar os casos autóctones”, observa. Ramos ressalta que todas as pessoas que possuem os sintomas da doença (febre, dores pelo corpo - principalmente nas articulações - e dor de cabeça) devem procurar atendimento na rede básica de saúde. “Mesmo quem é atendido na rede privada, deve procurar o município para a coleta de sangue para a confirmação”, explica o secretário.

De acordo com ele, o aumento do número de casos pode ter relação com o índice pluviométrico registrado nesse início de ano. “Esse ano choveu muito mais que o ano passado”, observa Ramos. O mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti, se prolifera no verão, aproveitando o clima quente e o acúmulo de água, que criam ambientes propícios para suas larvas.

Para conter os focos concentrados na Vila Universitária, o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) está realizando nebulização na casas do bairro. Marylda Arias Rodrigues, moradora da rua Gerson Rodrigues, conta que teve a sua casa inspecionada pelo menos três vezes neste ano. “Já passou caminhão com remédio, já fiscalizaram, mas não acharam nada (larvas do Aedes)na minha casa”, conta.

Apesar da concentração de casos no seu bairro, ela diz não estar preocupada. “Não tenho medo, não. Eu tomo conta da casa”, garante. Gustavo Cortez Nardo, morador da rua Henrique Savi, conta que já recebeu a visita de dois agentes nos últimos 15 dias. “Quando fiquei sabendo que aqui era o bairro com mais casos, fiquei preocupado. Temos que redobrar a atenção”, diz.

De acordo com Mário Ramos, a ação na Vila Universitária vai até o final da semana. “Assim que um caso de dengue é confirmado, até dez dias depois da notificação é realizada a nebulização. Depois desse processo é feita nova busca ativa nas residências”, explica o secretário. Assim que a nebulização da Vila Universitária for encerrada, a Secretaria de Saúde irá analisar quais os próximos bairros que vão receber a aplicação.

Vila Universitária

Luiz Ricardo Paes de Barros Cortez, chefe do CCZ, informou ao Jornal da Cidade na semana retrasada que a Vila Universitária mantém o maior número de casos porque o Centrinho, da Universidade de São Paulo (USP), recebe pessoas de cidades e até Estados com epidemia de dengue na região dos novos casos registrados, a Saúde já realizou as ações de bloqueio e de busca ativa, como visitas às residências, orientações à população e vistoria para verificação de possíveis criadouros.

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Como prevenir

O controle da dengue é feito, basicamente, pelo combate ao mosquito vetor. Dessa forma, locais que acumulem água limpa e parada precisam ser eliminados. Em garrafas, pneus, pratos para vasos de planta, entre outros, é que o Aedes aegypti põe seus ovos.

Colocar areia nos vasos e pratos de plantas, telas nas janelas, guardar as garrafas vazias de cabeça para baixo e em locais secos, limpar calhas e lajes são medidas simples que ajudam a evitar a proliferação do mosquito.

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Forma hemorrágica

Apesar do aumento no número de pessoas com dengue, Bauru segue sem registrar nenhum caso da forma hemorrágica, que pode levar à morte. Para o secretário de Saúde, Mário Ramos, não se pode descuidar.

“Apesar de não termos registros, é sempre temerário.Em 2005 e 2006, os funcionários da Saúde receberam capacitação para identificar e atender casos de dengue hemorrágica”.

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