Regional

Iaras é a quarta mais violenta do Estado

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 3 min

Iaras - O pacato município de Iaras (90 quilômetros de Bauru) ocupa o quarto lugar no Estado de São Paulo em homicídios no “Mapa da Violência dos Municípios Brasileiros” apresentado ontem pela Organização dos Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI). É o primeiro no rancking da violência na região.

Ao verificar as mortes por homicídios, o estudo classificou Iaras em 42.º lugar entre as 556 cidades mais violentas do País. O trabalho verifica a taxa média de homicídios na cidade entre 2002 e 2004 período em que ocorreram seis homicídios.

Em 2003, um dos anos estudados, três pessoas foram mortas no município que, no ano passado, possuía 3.718 habitantes, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na comparação, o número de mortos naquele ano representou 0,1% da população atual. Se a mesma proporção de homicídio ocorresse em Bauru, cidade com 350 mil habitantes, teriam morrido 350 pessoas. Feita a comparação com base em números relativos (%), as três mortes representam um alto índice de homicídios para Iaras.

As autoridades responsáveis pela segurança pública na cidade responsabilizam um mesmo fator pelo ranqueamento no estudo do OEI: a Penitenciária “Orlando Brando Filinto”. Tanto o delegado de polícia da cidade Fabiano Ribeiro da Silva, quanto o comandante do Pelotão de Polícia Militar, tenente André Ricardo de Paulo, afirmam que as mortes ocorrem durante rebeliões.

“Um presídio de segurança máxima, onde já esteve alojada a cúpula do PCC (Primeiro Comando da Capital), quando tem rebelião, geralmente, um ou dois são mortos e o índice de homicídio sobe”, avalia Paulo, mencionando ainda que a cidade possui duas unidades da Fundação para o Bem-estar do Menor (Febem) e outras duas em construção.

Silva ressalta que desde quando assumiu a DP em Iaras, em fevereiro de 2004, apenas acompanhou casos de homicídio na penitenciária. Para o delegado, a Secretaria de Segurança Pública não cobra índices menores de violência na cidade por saber da peculiaridade.

Atualmente, estão presos em regime fechado 733 detentos. Iaras ainda abriga 140 condenados que cumprem suas penas em regime semi-aberto.

O tenente Paulo também se preocupa com o contingente de cerca de 50 famílias que vivem atualmente no acampamento do MST Pátria Livre, localizado na divisa dos municípios de Iaras, Agudos e Borebi. “A gente, quando tem que cumprir algum mandado de busca, por exemplo, vai com reforço policial porque já houve problemas de ter que usar de força para conter os ânimos”, explica.

O último homicídio ocorrido em Iaras, em 2006, envolveu exatamente integrantes do acampamento. Em novembro do ano passado, o corpo de Rubens Sandins de Lima, integrante do grupo, foi encontrado enterrado próximo ao acampamento.

O crime foi violento tanto que, segundo o delegado Silva, uma paulada na cabeça bastou para causar traumatismo craniano, causa da morte. A vítima ainda recebeu outros golpes de foice na região do tórax e facadas na cabeça. Os autores, dois homens, eram pessoas que conviviam com Lima no acampamento.

O motivo foi um desentendimento. Os autores ainda tentaram ocultar o cadáver, enterrando o corpo em uma vala nas proximidades da área ocupada. Dias após, um cachorro localizou o cadáver.

Fora da estatística

Silva explica que pelas condições em que o corpo foi localizado, inicialmente foi registrado no Boletim de Ocorrência (BO) por morte suspeita. Após a necropsia ficou constatada a causa do óbito e determinados os tipos de lesões. Para efeito da elaboração das estatísticas de crimes pela Secretaria de Segurança Pública (SSP), vale o registro no BO. Devido a isso, em 2006 os dados oficiais não apontam homicídios em Iaras.

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