Nacional

Efeito China faz a Bovespa ter maior queda desde o 11/9

Por Fabricio Vieira | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - A Bovespa encarou ontem seu pior pregão dos últimos anos. No fim das operações, a Bolsa de Valores de São Paulo marcava impressionante desvalorização de 6,63%. Na história recente da Bolsa, pregões tão ruins só ocorreram após o fatídico 11 de setembro de 2001, quando a queda foi de 9,17%. Em 13 de setembro daquele ano, a Bolsa caiu 7,26%. Nenhuma das 58 ações que compõem o índice Ibovespa, que reúne os papéis de maior liquidez da Bolsa, conseguiu terminar ontem com ganhos.

Entre as mais pesadas quedas de anteontem, ficaram as ações Telemig Participações PN (-10,02%), Usiminas PNA (- 9,73%) e Sadia PN (-9,34%). A Bovespa operou em queda durante todo o pregão e marcou perdas de 7,87% no pior momento do dia. Em todas as praças financeiras, as Bolsas de Valores sofreram ontem com pesadas vendas e preocupantes quedas. Com os latino-americanos, não foi diferente: o Merval, em Buenos Aires, caiu 7,5%; a Bolsa do México perdeu 5,8%.

O volume financeiro negociado na Bovespa chegou a R$ 5,45 bilhões - a média diária do ano é de R$ 3,5 bilhões -, o que mostra a intensidade das vendas de ontem. Nesses momentos de incertezas internacionais, que sacodem os mercados, o fato de a Bovespa ter nos estrangeiros o grupo de investidores de maior peso se torna um problema. Ontem, os estrangeiros puxaram as vendas de ações de companhias brasileiras logo na abertura do pregão, segundo operadores do mercado.

O dia começou repercutindo a queda de 9% da Bolsa de Xangai e com os investidores temerosos de que a China adotasse medidas duras para conter especulações e esfriar a economia. “O mercado mundial estava muito alavancado, com diversas Bolsas operando em níveis recordes. Com temores de que alguma medida mais drástica fosse tomada pelo governo chinês, os investidores correram para vender ações”, afirma Maristella Ansanelli, economista-chefe do banco Fibra. “Como não vejo nenhum novo problema com fundamentos econômicos, entendo que depois dessa pesada realização o mercado volte a encontrar o caminho de alta. Mas podemos ainda ter que conviver com pregões ruins nos próximos dias”, afirma a economista.

O mercado de câmbio não escapou do tenso dia: o dólar subiu 1,73%, maior alta desde maio de 2006, e terminou vendido a R$ 2,12. O risco-país subiu 12%, para 204 pontos. Mesmo com a moeda estrangeira operando em alta durante todo o dia, o Banco Central não se ausentou do mercado e comprou dólares dos bancos. Para José Roberto Carreira, diretor da corretora Novação, “mesmo que o dólar suba mais um pouco nos próximos dias, a tendência de apreciação do real continua viva”.

As taxas futuras de juros encerraram em alta na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F ). Mas as elevações foram relativamente brandas. Isso porque ninguém espera que o BC passe a subir a taxa Selic por conta do estresse internacional. A não ser que o mercado passe a enfrentar realmente um período de turbulências persistentes. No contrato DI (Depósito Interfinanceiro) mais negociado anteontem, que vence na virada do ano, a taxa foi de 12,06% a 12,13% anuais.

China detona

O movimento de ontem - estimulado por temores de desaceleração nos dois maiores motores da economia global, EUA e China - foi chamado por analistas de “soluço temporário” ou “ajuste de preços”. Ele ocorre num momento em que ações, títulos e commodities registram níveis recordes. O “ajuste” começou no mercado chinês. Nenhum indicador econômico mudou os cenários com que analistas e economistas trabalham para a economia chinesa ou mundial. Foi a possibilidade de Pequim impor restrições às operações no mercado acionário que assustou os investidores.

Comentários

Comentários