Cultura

Café com inteligência

Adriana Fricelli
| Tempo de leitura: 3 min

“Segundas Intenções”. Apesar do trocadilho sugestivo, o nome escolhido para diferenciar o projeto bauruense dos demais cafés filosóficos saboreados no restante do Brasil está longe de qualquer ato malicioso. O batismo, na verdade, resume em duas palavras a data e o objetivo do encontro: reunir em um único espaço, no Ju Machado Escritório de Arte, opiniões diversas, sempre às segundas-feiras.

Depois de um período de férias para retomar o fôlego, o projeto retorna neste ano a partir do dia 12 de março com algumas reformulações. Antes realizado quinzenalmente, em 2007 o evento será mensal. “Como a maioria dos convidados tem uma agenda apertada, tivemos que reduzir o número de encontros”, conta um dos idealizadores, Jair José Marangoni.

O tema condutor das conversas deste ano não poderia ser mais contemporâneo: “Comunicação e Relacionamento”. “É um assunto interessante porque envolve a globalização e a dificuldade de comunicação, algo que também foi abordado no filme ‘Babel’”, diz Marangoni. Para falar sobre o tema, alguns nomes já foram confirmados, como o do escritor e jornalista Lucius de Mello, autor de “Eny e o Grande Bordel Brasileiro”.

Aberto ao público, o encontro reúne um público heterogêneo, formado por médicos, psicólogos, professores e artistas da cidade. “Ali, há uma troca humana entre pessoas inteligentes e interessantes que desejam amadurecer as idéias e mudar a realidade da qual muitos discordam”, enfatiza Marangoni.

Para participar, é necessário se inscrever gratuitamente no Ju Machado Escritório de Arte (rua Saint Martin, 17-7). As vagas são limitadas a 20 pessoas. Mais informações: (14) 3223-1294.

Papo-cabeça

Tomando um café enquanto papeavam sobre arte, política e filosofia, os amigos Luciana Gonçalves, Janira Fainer Bastos e Jair José Marangoni tiveram a idéia de formalizar os encontros semanais.

“Queríamos ampliar as discussões reunindo mais pontos de vistas sobre esses assuntos, mas sempre focados na filosofia”, lembra Marangoni.

Com formações distintas (Luciana é produtora; Jair, produtor cultural e Janira, professora de arte), os três optaram pela filosofia justamente por seu caráter reflexivo. “É uma área que dá margem a muitas discussões”, pontua Marangoni. E com o fio condutor, os amigos delinearam o primeiro tema, “Modernidade e Pós-Modernidade”.

Estava tudo pronto para o lançamento do projeto se não fosse um problema: a falta de um espaço apropriado na cidade para receber a iniciativa. Entrave resolvido com o apoio da marchand Ju Machado. “Assim que ela teve conhecimento do que queríamos fazer, topou na hora”, conta Marangoni.

O primeiro Café Filosófico começou com o peso da data emblemática: 11 de setembro. Para a estréia, uma das idealizadoras, Janira Bastos, falou sobre cultura geral. “Fizemos um círculo, onde o desencadeador de idéias falou por cerca de 30 minutos. O restante do tempo foi aberto para discussões e leituras de textos. É sempre assim”, afirma Marangoni.

Até o final de 2006, foram realizados seis eventos que discorreram sobre temas como arte, relacionamentos e – pasmem – até física quântica.

Os acontecimentos da cidade e do mundo também não ficaram de fora da análise do grupo. “As questões contemporâneas caem lá. Não há como fugir disso”, coloca Marangoni.

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