Quase sempre, produtos como chocolate, barbeador e desodorante fazem parte do carrinho de compras do consumidor brasileiro. Em Bauru, no entanto, esses itens também encabeçam a lista das mercadorias mais furtadas nas redes varejistas. Em muitas lojas, os prejuízos comprometem até 1% do faturamento mensal. As ousadias são tamanhas que há casos em que até carrinho de bebê é usado para levar produtos escondidos sem pagar.
“Nossas câmeras já filmaram pessoas que entraram (no supermercado) com o carrinho, dando a entender que havia um bebê dentro, para facilitar o furto. Os itens são escondidos entre os panos”, revela Daniela Passerotti, gerente de marketing de uma das maiores redes supermercadistas de Bauru.
Ela acrescenta que a empresa contabiliza mais de R$ 1 mil em perdas no faturamento mensal, entre furtos de mercadorias e degustação indevida de consumidores dentro das lojas.
Aparelhos de barbear, canetas, pilhas e isqueiros destacam-se entre os itens mais furtados nas cinco lojas da rede. “Além de carrinhos de bebê, muita gente costuma esconder os produtos dentro da meia-calça, do casaco e de blusas e calças largas. Nossas câmeras flagram essas artimanhas com freqüência”, completa.
Situação semelhante ocorre num supermercado do bairro Higienópolis. Conforme o sócio-proprietário Jair Barbosa de Lima, os furtos são constantes e expressivos. Barras de chocolate, desodorantes do tipo roll-on e creme dental são os itens mais furtados. “Nossas perdas chegam a 1% (do faturamento mensal) ou até superam esse percentual. Parece pouco, mas faz diferença no fim do mês”, reclama o supermercadista.
‘Prática comum’
A prática de quem quer levar a compra para casa sem pagar não é restrita a uma faixa etária ou classe social específica. Conforme os empresários que enfrentam o problema, a infração é comum entre todos os perfis de cliente.
“Não dá para apontar um ou outro. Esse tipo de prática é generalizada entre os consumidores”, afirma Jair Lima.
Em outro supermercado, localizado no Jardim Ferraz, o gerente-geral Donato Avelino da Silva diz que a incidência de furtos não chega a representar 1% do faturamento, porém, não deixa de ser representativa. Assim como na loja do bairro Higienópolis, Silva ressalta que os maiores prejuízos são contabilizados com os chocolates e produtos de beleza e higiene pessoal.
“Quando não furtam, muitas pessoas retiram o produto da embalagem para colocá-lo em outra que está com um preço menor. Isso também acontece muito”, destaca o gerente.
O problema tem obrigado as redes varejistas a se proteger, optando por sistemas de vigilância permanente.
Em Bauru, a maioria dos supermercados foi equipada com sistema interno de câmeras filmadoras. Algumas foram além, contratando equipes de seguranças. “No nosso caso, optamos por esses recursos e conseguimos reduzir os furtos satisfatoriamente”, relata o gerente Silva.
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Procon
Comer dentro de supermercados e deixar de pagar é tão ilegal quanto furtar no estabelecimento, segundo afirma o coordenador do Procon em Bauru, Amauri Roma. Conforme ele, não há nenhuma legislação que impeça a empresa de abordar o cliente e reclamar o pagamento ou a devolução do produto.
“Desde que seja fato o furto ou o consumo indevido, a abordagem é absolutamente legal. Ninguém tem o direito de comer ou levar sem pagar”, ressalta.
Entretanto, Roma explica que os supermercados têm de informar à clientela, através de comunicação interna, sobre a proibição do consumo dentro do estabelecimento. Caso contrário, a loja perde o direito de contestar o consumidor.