Menino criado em sítio, Wilson Canela recorda que sempre trabalhou com empório. “Tenho 53 anos de comércio. Antes de vir para cá (Bauru), tinha um armazém em Bariri. Mas fomos desalojados para a construção da represa”, lembra. Ele veio para Bauru e não se esquece da acolhida que teve na cidade. “Fomos muito valorizados, nos sentimos protegidos aqui. Me acostumei logo no primeiro dia”, conta.
Famoso por suas frutas e legumes, Canela conta que exigia um padrão de qualidade alto para os seus produtos. “Muitas pessoas faziam compras em supermercados, mas vinham aqui pegar frutas”, garante. Outro produto bastante procurado era bacalhau. “Teve uma vez, na época do Plano Cruzado, que eu cheguei a vender duas toneladas de bacalhau”, recorda. O segredo, revela, era a forma de armazenar o pesado. “Conservava o bacalhau do jeito que ele merece. Além disso, entregava do jeito que o cliente pedia: limpo, em postas. Era da mercearia para a panela”, diz.
Canela só interrompia a rotina diária do bar, das 7h às 20h - e ainda mais duas horas depois para a limpeza – para pescar no Mato Grosso. E segundo os clientes, já fazia tempo que nem esse descanso o comerciante tirava. Depois de 41 anos, Canela e a esposa ainda não decidiram o que fazer no futuro. “O nosso foco é o tratamento. Vamos nos concentrar para ele fique bom”, ressalta Maria Lúcia.