Barra Bonita - Regras mais rígidas flagraram os pescadores cometendo infrações na região no período da piracema – novembro de 2006 a fevereiro de 2007.
O número de autuações efetuadas pela Polícia Militar Ambiental cresceu 87,5% nos rios da região nos últimos quatro meses em relação à aplicação de multas no mesmo período de 2005-2006. Foram lavrados 30 autos no período da piracema deste ano, contra apenas 16 no ano anterior.
Apreensão de peixe também aumentou de um ano para outro. Como o JC publicou na semana passada, policiais ambientais apreenderam em Jaú 1,2 tonelada de peixe fresco originário de pesca irregular, que iria ser comercializada no entreposto de São Paulo da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais do Estado de São Paulo (Ceagesp).
O 2º tenente da Polícia Militar Ambiental, Ernani Francisco dos Santos, disse ontem ao JC que o aumento nas autuações reflete o endurecimento das regras para pesca. Como exemplo, ele cita que no rio Jacaré-Pepira este ano estava totalmente proibida a pesca. Já no ano passado, era liberada a prática, apenas com algumas restrições. “Novas regras levaram o infrator a reincidir mais nas infrações”, salienta Santos.
A partir de hoje, os profissionais da pesca estão liberados para voltar às suas atividades em todo o Brasil. O prazo estipulado pela portaria 124, emitida pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que proibiu a pesca durante quatro meses no período da piracema, terminou a zero hora de hoje. Segundo a Colônia de Pescadores de Barra Bonita (68 quilômetros de Bauru), pelo menos 1,7 mil pescadores da região devem voltar às atividades.
A pesca profissional estava proibida desde o dia 1 de novembro do ano passado. Acredita-se que pelo menos 90% dos pescadores profissionais deixaram de exercer a atividade durante os últimos quatro meses. “Pelo que nós temos de informação, a adesão dos pescadores foi em massa. A quantidade de autos que eles praticavam em outros anos foi reduzida em 10% neste ano. E nós estamos sentindo que o próprio pescador, a cada dia que passa, está se conscientizando”, comenta José Pedro de Oliveira Filho, diretor-presidente da Colônia de Pescadores de Barra Bonita.
Oliveira explica que vem lutando para conscientizar o pescador sobre a importância de se respeitar o período de desova dos peixes, mas acredita que a responsabilidade em manter o equilíbrio natural do rio não é só deles. Oliveira critica as prefeituras que não estariam fazendo a sua parte ao deixarem de tratar o esgoto que é despejado no rio.
“O pescador hoje está consciente. Agora nós precisávamos conscientizar os outros órgãos poluidores, como as prefeituras, que não tratam os seus dejetos. No início da piracema nós tivemos uma mortandade de peixes violenta aqui na região. Por algum motivo, e ninguém sabe exatamente qual, porque a Cetesb até hoje não deu uma resposta satisfatória, faltou oxigênio (na água), mas ninguém diz o que causou esta falta”, lembra.
Conforme o JC divulgou, em meados de dezembro do ano passado, cerca de 1,4 tonelada de peixes apareceram mortos no rio Tietê próximo à ponte Campos Salles e Praça Waldemar Lopes Ferraz, em Barra Bonita. A explicação dada na época foi de que o incidente ocorreu devido a vários fatores ambientais, que contribuíram para a diminuição da oxigenação da água. Estes fatores, segundo o JC apurou junto à Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental (Cetesb), foram a ocorrência de fortes chuvas e o acúmulo de esgoto não tratado despejado pelos municípios localizados nas margens do rio Tietê.
Tilápia
Com o início do período de pesca, o presidente da Colônia de Pescadores de Barra Bonita, José Pedro de Oliveira Filho, conta que a tilápia deve ser o peixe mais procurado pelos profissionais para ser comercializado. “O próprio pescador está escolhendo a tilápia de tamanho maior e chega a trabalhar com malha de 160 milímetros. Eles trabalham com malha grande porque o peixe está grande e, consequentemente, o filé é maior. Tendo em vista esta parada de quatro meses, as tilápias, que eram alevinos, com certeza chegaram até 600 gramas”, explica. Ele recomenda ao profissional, o uso de malha 11 para pescar a tilápia no tamanho entre 25 a 30 centímetros.
Atualmente, 1.772 profissionais da pesca estão cadastrados na Colônia de Pescadores de Barra Bonita, que abrange cerca de 150 municípios.