Jaú - O município de Jaú (47 quilômetros de Bauru) já registrou neste ano cinco casos de dengue. Foi o suficiente para que o sinal de alerta soasse na Secretaria Municipal de Saúde (SMS).
O município decretou caça a criadouros do aedes egypti, mosquito transmissor da doença. A estratégia definida pela SMS de Jaú é atacar, inicialmente, o foco onde apareceram os casos.
O primeiro caso foi diagnosticado na Vila Assis. Os quatro novos casos foram registrados, respectivamente, no Jardim Estádio, Pedro Ometto, e dois casos no Jardim Santa Helena.
Para o secretário de Saúde, Antonio Marcos Rodrigues, só a mobilização do poder público, imprensa e sociedade vai evitar novos casos. “Para que não registremos mais casos de dengue, como aconteceu no período de 2003 a 2005, é preciso construir um alicerce baseado num tripé. O papel da administração pública, que vem sendo cumprido, com as ações permanentes de prevenção e combate à doença. A parceria com a imprensa, no apoio a divulgação e, sobretudo, o engajamento da população. Se não houver essa dinâmica de integração e cada um não responder pelo que lhe compete, não adianta ficar discutindo dengue”, afirma Rodrigues.
Quando questionado sobre se a população não está fazendo sua parte, o secretário deixou claro que não existe um único culpado pela incidência da dengue no município. “Somos um País tropical, que reúne todas as condições para a proliferação da dengue e tivemos muita chuva, dias muito quentes e também um pouco de desleixo da população. A dengue mata e a solução desse problema é a prevenção, em não deixar o inimigo entrar na sua casa”, salienta.
Para tentar eliminar os criadouros do mosquito e, conseqüentemente, impedir a incidência de novos casos da doença no município, a Secretaria está adotando uma série de ações preventivas. Primeiramente, o trabalho preventivo e de orientação realizado permanentemente pelos 10 agentes de zoonoses nas residências e pontos estratégicos ganhará o reforço de 60 agentes comunitários, que fazem parte do Programa Saúde da Família (PSF). Durante a visita serão distribuídos panfletos para esclarecer a população e empresas sobre os riscos da doença e as precauções que devem ser tomadas, e averiguados ralos, pneus, vasilhames, piscinas ou qualquer outro local em que possa haver a reprodução do mosquito aedes aegypti. Serão percorridos ferros velhos, borracharias, cemitério, kartódromo municipal e outros pontos onde é maior a incidência de larvas.
Multas
Além de atuar preventivamente, a prefeitura pretende multar as pessoas que não contribuírem para eliminação de potenciais criadouros. “Vamos ser mais contundentes na aplicação de multas. Residências e locais reincidentes, ou seja, que já foram visitados e advertidos pelos agentes e novamente, forem encontrados objetos e materiais que possam servir de criadouros para o os moradores, serão multados”, garante Rodrigues.
Outras medidas como a antecipação da “Feira do Certo e Errado”, realizada periodicamente nas escolas, a criação de um Disque Dengue e a vistoria dos imóveis fechados que estão nas imobiliárias também fazem parte das ações da Secretaria.
Nas escolas municipais, estaduais e particulares, estandes serão montados para informar aos alunos as fases de evolução do mosquito, e explicar quais cuidados devem ser tomados para evitar a proliferação da doença. “As crianças atuam como fiscais na própria casa e os resultados são muito mais promissores. Por isso, elas devem ter informação e serem educadas para que cresçam como adultos conscientes de seus direitos, mas também que cumpram com sua cidadania”, afirma Rodrigues.
Mutirão
Além da prevenção e conscientização, a Secretaria de Saúde, em parceria com a Defesa Civil e Tiro de Guerra, realizará mutirões de limpeza nos bairros. O trabalho será focado nos lugares em que forem registrados casos da doença. O primeiro mutirão deverá acontecer no dia 10 de março, no Jardim Estádio, percorrendo os seguintes trechos: da rua Caetano Perlatti até a rua Jesuíno dos Santos e da avenida Zien Nassif até a avenida Frederico Ozanan.
Rodrigues explica que, nos dias antes do mutirão, os agentes de zoonoses farão visita às residências para orientar os moradores e informar sobre a ação, solicitando para que coloquem nas calçadas objetos como móveis velhos, pneus, latas e outras sucatas que podem ser criadouros da dengue. É essencial que o proprietário deposite os entulhos em frente à residência para o recolhimento do caminhão.
O trabalho de recolhimento será feito durante todo o dia pelos atiradores do Tiro de Guerra, voluntários e membros da Defesa Civil.
O Disque Dengue - (14) 3622-5927 - telefone do Centro de Zoonoses, está à disposição para a população tirar dúvidas e fazer denúncias de locais que possam existir larvas.