Li, no último domingo, dia 25/2/2007, a seguinte matéria na Folha Online: “Nove em dez jovens internados por crime não têm ensino médio, diz estudo”, e logo refleti. Mais uma para os políticos. Acredita-se que reduzindo a maioridade penal o Estado oprimirá os menores delinqüentes. Doce ilusão. A questão é óbvia, falta educação. Outro problema, e não tão somente, é que o Brasil arrasta várias leis pelos corredores da burocracia durante anos sem a aplicação da devida justiça. Nosso problema, também, não é carência de leis e sim, como estamos cansados de saber, a falta de aplicabilidade nas já existentes. O sistema judiciário está sufocado, são milhares e milhares de processos aguardando julgamento, quando estes já estão em fase de outros tantos recursos que as velhas e tão sabidas lacunas os permitem fazê-los.
Reduzir a maioridade penal não será e muito menos vai ser a resolução do problema. Querem aumentar a população carcerária em um país onde o sistema presidiário está falido? O problema é social. Nosso país tem uma péssima distribuição de renda e um enorme descaso com a educação. Faltam recursos no ensino fundamental e médio, e outro tanto de coisa que estamos cansados de saber (valorizem nossos professores) e ninguém faz nada. Não adianta clamar por paz, fazer passeatas, movimentos e “novelinhas” sugestivas. Quem deve assumir a responsabilidade são os parlamentares, aqueles mesmos que queriam aumento salarial de 90,7%, pois estes foram eleitos para isso e ganham muito bem para pensar no que, quando e como fazer as coisas para o bem comum.
Algum “engravatado” deve fazer alguma coisa, e esse alguém deve ser aquele que está na situação. Só para lembrar: E o Programa Fome Zero? Ainda vejo pessoas se alimentando de restos de comida nas ruas todos os dias de manhã. Fica um trecho da música: "Até quando esperar? A Plebe ajoelhar, esperando a ajuda de Deus?" (Banda de Rock de Brasília Plebe Rude. 1985). Obrigado.
Ricardo Luiz Penteado Borgo