Bairros

Sagüis pegam bananas nas mãos de cobrador

Luiz Galano
| Tempo de leitura: 3 min

O macaco é um bicho selvagem, mas na região urbana de Bauru, eles parecem não temer a presença dos homens. Sagüis do tufo preto que habitam a mata na região da Universidade Estadual Paulista (Unesp), por exemplo, não se fazem de rogados quando lhes é oferecida uma banana. Basta alguns chamados e assobios que, pouco a pouco, alguns descem dos galhos para verificar se vão receber alguma recompensa. Com gula, eles pegam as bananas oferecidas e as devoram.

A “docilidade” desses pequenos primatas foi descoberta por acaso, há um mês. Num final de semana de lazer, o cobrador Antônio Francisco Gimenez e seu filho Guilherme, que costumam fazer trilhas com motocicletas na região de Bauru, pararam para descansar à sombra de uma árvore e receberam a “visita” dos sagüis.

A partir de então, Gimenez passou a freqüentar periodicamente o local, cuja localização exata o JC não informará para evitar eventuais agressões aos sagüis. Gimenez tornou-se “amigo” dos macaquinhos e hoje chega a reconhecer cada um deles, chamando-os até mesmo por nomes. “Aquele maior é pai, o Chico. Ele é o mais arisco”, revela.

Preocupado com os animais, o cobrador resolveu levar alimentos, como frutas e até água, periodicamente para eles. “Esse mato parece ser tão pobre em alimento para eles que eu resolvi dar uma ajuda”, afirma. E a reportagem constatou que, ao verificar a abundância de bananas oferecidas por Gimenez, os sagüis mais ressabiados, que observavam do alto das árvores, também desceram para participar do “banquete”.

A vontade com que comem as bananas faz pensar que os animais passam fome. Um deles agarrou no ar uma borboleta e a devorou. Alguns subiram até no colo de um dos membros da equipe de reportagem.

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Orientação veterinária

A veterinária Maria Emília Santiago, do Zoológico de Bauru, não recomenda alimentar os sagüis. Segundo ela, os primatas podem transmitir diversas doenças ao homem, como febre amarela, raiva, herpes, tuberculose e outras. Além disso, ao fornecer alimento, podem ocorrer desequilíbrios na população de animais.

“A quantidade de alimento na natureza regula a procriação. Com alimentação farta, a taxa de procriação aumenta. Caso os animais recebam esse alimento e não o encontrem diretamente na natureza, talvez a área não suporte a população e eles passem até mesmo a invadir casas”, revela.

De acordo com a especialista, é comum a presença de sagüis nas matas do Brasil.

Os principais responsáveis pelo alto índice de animais na região urbana seriam os constantes desmatamentos e as facilidades para conseguirem comida. “Eles se aproximam do homem por pura comodidade. Para eles, é muito mais fácil receber a comida do que despender energia para encontrá-la. Além disso, com o passar dos anos, as espécies que vivem na região urbana se tornam muito mais acostumadas com a presença dos homens”, explica.

Segundo Emília, até mesmo no zoológico é possível observar o “oportunismo” dos sagüis. “Toda vez que nossos animais são alimentados, eles (sagüis) aparecem para aproveitar a comida e depois voltam para a mata”, conta.

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