São Paulo - Uma das pessoas feridas em conseqüência do tiroteio ocorrido na tarde de anteontem durante um assalto à agência do banco Itaú na avenida Ibirapuera, em Moema (zona sul de São Paulo), a adolescente Priscila Aprígio, 13 anos, passou por duas cirurgias e permanece internada na UTI do Hospital Alvorada.
Segundo a assessoria de imprensa do hospital, o tiro que atingiu a menina causou lesões no rim e na medula. A expectativa é de que ela permaneça mais 48 horas em observação para que, depois, seja feita a avaliação neurológica, que permite analisar possíveis seqüelas.
O sapateiro Isaias Joaquim da Silva, 40 anos, pai da estudante afirmou ontem que só um milagre fará sua filha andar de novo. Ela foi atingida por um tiro em um ponto de ônibus na avenida, após ir ao dentista. Priscila voltava para casa, em Embu (Grande São Paulo). “Os médicos ainda não confirmaram se ela ficará sem andar, mas só um milagre vai poder tirá-la dessa situação”, afirmou Silva.
Visivelmente emocionado e chorando durante a entrevista, o pai da estudante disse que sua família tem muita fé em Deus e acredita na recuperação da garota.
A mãe da estudante, a dona de casa Maria de Fátima Aprígio da Silva, 47 anos, contou que Priscila faz tratamento com o dentista há três anos. “Ela vinha uma vez por mês e toda vez que ela saía de casa eu entregava a vida dela a Deus”, disse. Ela disse que anteontem sua filha iria com uma amiga para a consulta, que na última hora não pôde acompanhá-la. “Nos últimos três meses eu coloquei na cabeça que a Priscila não poderia sair sozinha, eu sempre pedi para que alguém fosse com ela.”
Maria de Fátima afirmou ainda que momentos antes do acidente teve um pressentimento de que algo poderia acontecer. “Trinta minutos antes de ela ser baleada eu estava muito triste e agoniada. Liguei para a Priscila e ela disse que estava tudo bem e que ainda estava no consultório”, relatou.
Por volta das 16h, a estudante deixou a clínica e telefonou para a mãe. “Ela disse que estava com fome e que quando chegasse em casa queria almoçar”, afirmou. Dois minutos depois voltou a ligar e deixou Maria de Fátima assustada. “Ela disse: ‘Mãe me ajuda que eu levei um tiro nas costas’, em seguida a ligação caiu.”
Logo em seguida, outra pessoa ligou do celular de Priscila para avisar sobre o tiroteio e avisar Fátima sobre o socorro da garota. “Depois, o aparelho sumiu e gostaria de pedir que o devolvessem”, declarou. A mãe disse que sempre teve medo que a filha andasse sozinha por Moema. “Não sei a razão, mas achava que alguma coisa poderia acontecer”, afirmou Maria de Fátima.
O assalto
A ação dos bandidos começou pouco depois das 16h, quando um cliente que estava em um dos caixas eletrônicos percebeu o assalto e atirou na direção dos suspeitos, de acordo com a polícia. Um dos assaltantes foi baleado, mas conseguiu fugir com os demais criminosos.
O tiroteio, que começou na agência, prosseguiu na avenida. Na fuga, os assaltantes levaram duas armas dos vigias e cerca de R$ 10 mil. Além do suspeito, outras quatro pessoas ficaram feridas. O caso mais grave é da adolescente, que estava em um ponto de ônibus nas proximidades do banco quando foi atingida. Também ficaram feridos Maria Erenildes, 38 anos, e Raimundo José de Jesus, 39 anos - que estavam dentro de um ônibus -, e o advogado Fábio Ferreira do Nascimento, 28 anos, que estava em um carro abordado durante a fuga dos assaltantes. Horas depois do assalto, um suspeito foi localizado em um hospital na Grande São Paulo.
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Guarda alega legítima defesa
São Paulo - O tiroteio no assalto ao Banco Itaú, anteontem, em Moema (zona sul de São Paulo), foi iniciado por um guarda-civil metropolitano que trabalhava ilegalmente como segurança de um bingo vizinho à agência. O GCM tinha ido ao banco fazer um depósito no caixa eletrônico no momento em que seis assaltantes invadiram a agência - pelo menos outros dois estavam do lado de fora. Após o disparo, os assaltantes que levaram R$ 10 mil do local, revidaram e quatro pessoas, que estavam na rua, foram feridas - duas permanecem na UTI. Ao menos outros dois seguranças do bingo Circus Club também foram vistos por testemunhas fazendo disparos.
Em entrevista coletiva à imprensa ontem, o delegado Ruy Ferraz Fontes confirmou que o homem de terno e gravata, visto por testemunhas atirando contra os criminosos na área de auto-atendimento do Itaú, é mesmo um guarda-civil. Ferraz Fontes, porém, recusou-se a fornecer o nome do guarda. Segundo o delegado, o GCM foi ouvido pela polícia na condição de testemunha e vítima e alegou que, em razão disso, tem direito ao sigilo do seu nome até o fim da investigação.
O GCM, que desapareceu do local após o tiroteio, apresentou-se ontem à polícia. Segundo o delegado, a versão que o GCM apresentou leva a polícia a acreditar que ele agiu em “legítima defesa.” Ele alegou que um dos bandidos começou a revistá-lo e, com medo de ser morto porque estava armado, sacou o revólver e atirou. De acordo com a polícia, o guarda tem autorização para andar armado e seu revólver, calibre 38, é legalizado.