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Branemark restringe implante apenas a desdentado total por falta de verbas

Por Luiz Galano | Colaborou Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 2 min

Após finalizar o tratamento de 150 pacientes no ano passado, o Instituto Branemark, instalado em Bauru, vai adotar sistema de seleção mais rígido, com a intenção de fazer implantes dentários apenas em pessoas totalmente sem dentes - até então, também eram atendidos pacientes parcialmente desdentados. Isso porque o instituto não recebeu o esperado volume de doações financeiras, que vêm exclusivamente do Exterior.

“Não houve redução das doações, mas também não teve acréscimo”, observa a coordenadora do instituto, Ingrida Ginters. Sem o acréscimo, ela aponta que o próprio instituto tem praticamente bancado os tratamentos.

Apesar de contar com uma fila de espera de 4.500 pessoas (entre triagem e intervenção cirúrgica), o instituto reabriu, desde o primeiro dia útil do mês, inscrição para novos pacientes. O critério principal para poder entrar na fila de espera é não ter nenhum dente na boca.

“A seleção será mais criteriosa este ano, para sermos mais objetivos durante o processo. Não serão realizados implantes parciais. Aqueles que deixaram de mastigar há muito tempo serão privilegiados. Segundo a linha de pensamento do professor (Per-Ingvar) Branemark, essas são as pessoas que mais sofrem, por isso teriam preferência”, explica a coordenadora do instituto.

A medida foi tomada após o órgão constatar que 50% dos atendimentos não era referente a pacientes completamente desdentados. “20% dos inscritos procuraram o instituto de forma errônea, acreditando que funcionasse como um consultório odontológico, procurando tratamentos de canal, por exemplo. Outros 30% fazem parte daqueles com deficiência dentária parcial”, revela a dentista Raquel Caminha.

Atualmente, existem 4.500 pessoas na fila de espera para fazer triagem. Segundo Ginters, o número de pacientes que efetivamente será tratado cairá pela metade. “Aqueles que não possuem deficiência total serão encaminhados a outros órgãos ou ainda terão a opção de continuar na fila, tendo a ciência de que não haverá previsão de data para receberem o implante”, esclarece. “Com isso, a fila andará normalmente”, completa.

No ano passado, 150 implantes foram realizados pelo instituto, com 50% dos atendidos provenientes de Bauru e o restante de cidades da região e também de outros Estados. Caso a média seja mantida, o número de transplantes pode subir para 500 neste ano.

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Logística diferente

Os coordenadores da equipe voluntária do Rio de Janeiro ficaram impressionados com o sistema de atendimento do Instituto Branemark. “O que se faz aqui é muito complicado de se fazer em consultório. Os poucos profissionais que conseguem fazer algo como isso tratam em média de dois pacientes por mês. Aqui não, a pessoa recebe o implante em apenas quatro dias”, afirma José Jorge Silva, um dos quatro coordenadores da equipe.

Os voluntários não recebem nada por se deslocarem do Rio de Janeiro e realizar as intervenções em Bauru e fazem questão de ressaltar o prazer em prestar o serviço. “É uma forma de mostrar a admiração a este homem que descobriu e desenvolveu algo tão útil para as pessoas”, expressa Márcio Marques, também membro da equipe.

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