Ontem à tarde, dois atendimentos no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) terminaram em confusão na agência da rua Azarias Leite. As famílias de duas usuárias que passavam por perícia médica para comprovar a incapacidade laborativa registraram boletim de ocorrência no 3º Distrito Policial (DP). Lígia Aparecida Cabana e Leila Aparecida Cruz Serrano foram atendidas pelo mesmo perito e reclamaram do médico.
Em maio do ano passado, Cabana sofreu uma queda na rodoviária e desde então sente fortes dores nas costas. Ela conta que os exames apontaram a existência de uma massa cancerígena no local. A constatação da doença ainda levou a usuária à depressão. Ontem, Cabana levou documentos do médico de sua empresa atestando que ela não estaria apta ao trabalho.
“Hoje (ontem) o médico apenas mediu minha pressão, escutou o coração e mandou ficar em pé e encostar a mão no chão. Eu não consigo fazer isso. Estou com as pontas dos dedos das mãos e dos pés dormentes há muitos dias”, relata. Ela ainda conta que Lígia ao sair da consulta, o médico teria insinuado que ela estaria fingindo.
Revoltado, Carlos Augusto de Carvalho, marido de Cabana, ainda criticava a ausência da assinatura do médico no laudo. O que constava no documento que atestava que ela estava apta ao trabalho era a assinatura do presidente do INSS, Valdir Moysés Simões. “Muito pior foi a forma com que trataram uma senhora (Leila). Ela foi expulsa da consulta”, denuncia Carvalho.
Leila Serrano não parava de chorar depois do incidente. Seu marido, Roberval, conta que ela sofre de depressão há quatro anos, além de ter síndrome do pânico. “Toda vez que ela vem (ao INSS), ela sai pior”, lamenta. A perícia determinou que Leila retornasse ao trabalho a partir do dia 4. “Como você cura depressão e síndrome do pânico em dois dias?”, critica Carvalho.
A Polícia Militar foi acionada pelas famílias das usuárias que depois foram ao 3º DP, onde registraram a ocorrência.
Alexandre, filho de Lígia e Carlos, afirmou que os casais também vão registrar queixa no Conselho Regional de Medicina (CRM), acionarão juridicamente o médico e o INSS e também pretendem acionar a Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Bauru.