Em 1930, o médico inglês Edward Bach resolveu abandonar o consultório e partiu para a zona rural do País de Gales em busca de novos medicamentos. Passou a percorrer os campos em busca de plantas e fixou sua atenção nas flores silvestres. Descobriu que o orvalho e a luz solar despertavam a vibração das flores e, a partir daí, desenvolveu o método solar e o de ebulição que se usam até hoje para o preparo das essências florais.
Quatro gotinhas quatro vezes ao dia. Essa era a receita de saúde de Bach. Observando seus pacientes e insatisfeito com os resultados que a alopatia oferecia, ele decidiu buscar na natureza uma solução para o bem-estar. Misturando princípios da física quântica, da homeopatia e da medicina, ele testou uma infinidade de plantas e selecionou 38 essências que seriam capazes de curar todos os males dos seres vivos.
Médico imunologista, bacteriologista e homeopata, Bach percebeu que, ao invés de tratar sintomas e doenças, era necessário tratar a personalidade das pessoas. Oferecendo o mesmo tratamento para pacientes com uma mesma doença, ele verificou que os resultados eram diferentes conforme o comportamento de cada um.
Apesar das propriedades medicinais testadas por Edward Bach, o tratamento com florais não deve substituir a medicina tradicional. Segundo a terapeuta Karina Braga de Castro Gomes de Sá, os Florais de Bach não servem como tratamento alternativo, mas como complemento à medicina tradicional, principalmente se a pessoa já estiver doente. “Nesses casos, os florais estarão tratando as causas de nossas doenças e aliviando o mal emocional”, diz.
De acordo com Sá, a doença é um reflexo da imperfeição da alma, ou seja, é um conflito entre o pensar, o sentir e o agir. “É o resultado de um conflito final que começou há muito tempo em nossa mente, gerando assim um estado mental negativo”, explica.
Contudo, o conselheiro do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) Carlos Alberto Monte Gobbo, afirma que não há comprovação científica da eficácia dos florais em patologias. Segundo ele, a prescrição de florais é vetada aos médicos pelo Conselho Federal de Medicina, assim como pelo Cremesp. “Se houver denúncia de médico que esteja receitando Florais de Bach é aberta uma sindicância para apurar o caso”, diz.
Gobbo também ressalta que tem observado muitos casos de farmacêuticos e terapeutas que prescrevem os florais, impedindo que o paciente tenha a oportunidade de tentar tratamentos clínicos adequados.
Mesmo assim, o conselheiro afirma que o fato do tratamento com florais não ser reconhecido atualmente, não significa que no futuro isso não ocorra. “Há 30 anos a homeopatia e a acupuntura também não eram reconhecidas”, lembra.
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O que são
O sistema Bach tem 38 essências e mais um composto emergencial, que é o Rescue Remedy, perfazendo 39 estados arquetípicos de cura, resultantes do conflito entre o Eu Superior e a Personalidade.
Essas essências foram divididas em sete grupos distintos, onde foram observadas as personalidades e a forma como cada uma reagia frente a uma doença, bem como os conflitos fundamentais que impedem de sermos verdadeiros para nós mesmos.
Os grupos são: do medo, da incerteza e insegurança, da falta de interesse no presente, da solidão, da hipersensibilidade à influências e idéias, do desespero ou desânimo e do excesso de preocupação pelo bem-estar dos demais.
Para Bach, a atitude mental tem um papel vital na manutenção da saúde e na recuperação das doenças. Por isso os Florais tratam o doente e não a doença, pois atuam como catalisadores trabalhando com as emoções negativas e não as suprimindo ou escondendo, como os efeitos das medicações farmacológicas. Estimula-se o potencial de autocura para a obtenção da virtude contrária, através das propriedades curativas das flores.
Terapeutas dizem que o sistema de Edward Bach é útil para doenças, bem como para períodos de dificuldades, de fadiga e para a autodescoberta.