Se as previsões se confirmarem, o Interior do Estado de São Paulo se transformará em um imenso mar verde. Os mais de 3,6 milhões de hectares ocupados por canaviais atualmente devem ganhar um novo impulso com a implantação de novas usinas de açúcar e álcool neste e nos próximos anos. Entretanto, essa expansão não deverá ser sentida com tanta força na região de Bauru.
Por aqui, a presença dos canaviais já é intensa e existem poucas áreas que ainda podem ser exploradas pelos produtores de cana. Além disso, a capacidade produtiva das usinas instaladas na região está no limite elas não têm como produzir muito mais do que já produzem.
Segundo o produtor de cana e presidente da Associação dos Plantadores de Cana da Região de Jaú (Associcana), Paulo Brandão, os canaviais estão crescendo principalmente próximo a cidades como Arealva, Iacanga, Boracéia, Bariri e Itaju.
Áreas que até então eram ocupadas por pastagens e plantações de laranja, começam a receber as primeiras mudas de cana. Basicamente, toda a produção dessa área servirá para abastecer a nova usina de Iacanga, cuja capacidade de processamento é de 1,5 tonelada por safra. A usina deverá entrar em operação ainda este ano e, inicialmente, terá condições de moer 450 mil toneladas de cana.
Pode parecer muito, mas perto dos 14 milhões de toneladas que as usinas da região de Jaú moem todos os anos, é “apenas uma gota”, segundo definiu Brandão. Mas como diz o ditado popular, “de grão em grão a galinha enche o papo”.
Dos 14 milhões de toneladas de cana que a região de Jaú processa a cada safra, metade é moída na usina de Barra Bonita, considerada a maior usina de açúcar e álcool do mundo em capacidade de moagem.
A expansão dos canaviais deve ocorrer com mais força nas regiões oeste e noroeste do Estado, onde está sendo construída a maior parte das 29 novas usinas de São Paulo. Cidades como Araçatuba, Penápolis, Votuporanga e Pereira Barreto serão algumas das mais influenciadas pelo “boom” na produção de álcool.
Terra disponível
De acordo com o Luiz Antônio Dias Paes, gerente regional do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) de Piracicaba, a cana está avançando mais para aquelas regiões por causa da oferta de terras. Segundo ele, outras regiões como as de Jaú, Piracicaba e Ribeirão Preto estão quase que totalmente ocupadas pelos canaviais.
Já no oeste e noroeste do Estado, além de terreno disponível, há também outras condições favoráveis para o cultivo da cana, como a topografia (terreno plano), clima quente e solo fértil. Tudo isso, associado às boas condições de transporte oferecidas pelo Estado de São Paulo, fazem daquelas regiões alvos preferenciais dos “xeiques do petróleo verde”, como estão sendo chamados os grandes usineiros. Outras usinas também estão sendo construídas em Estados como Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais, por exemplo.
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Taxas alfandegárias
Segundo o presidente da Associcana, Paulo Brandão, além de aumentar sua capacidade produtiva, o Brasil precisa melhorar o sistema de escoamento da produção. Ele conta que é comum caminhões ficarem parados durante uma semana no Porto de Santos esperando para descarregar. Com o aumento da produção, a tendência óbvia é que o problema se agrave ainda mais.
Para Brandão, seria interessante também recuperar o transporte ferroviário, o que baratearia o produto e tiraria de circulação milhares de caminhões.
Outra alternativa é a construção do alcoolduto, que está nos planos da Petrobras. A tubulação sairia do Estado de Goiás com destino à Refinaria de Paulínia (Replan), na região metropolitana de Campinas.
De lá, o produto seguiria até o porto de São Sebastião, no litoral norte de São Paulo. O duto terá capacidade para transportar 4 bilhões de litros e é o primeiro de uma série de projetos para ampliar a infra-estrutura de transporte do álcool combustível, visando a exportação.
“Temos de avançar no aspecto logístico, melhorando o transporte e o armazenamento do álcool, senão você estrangula o setor”, afirma Edison José Ustulin, presidente da comissão nacional da cana da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).