A expansão dos canaviais é vista com certa preocupação pelo jornalista econômico Luís Nassif. Na opinião dele, corre-se o risco da cana avançar sobre as áreas que hoje são utilizadas para a produção de alimentos.
A perspectiva de bons negócios pode levar agricultores a migrarem para a plantação de cana e assim causar uma redução na oferta de alimentos.
“A Secretaria de Estado da Agricultura junto com o Ministério da Agricultura têm de sentar para definir essa questão o mais rápido possível”, disse Nassif. Segundo ele, é preciso fazer um zoneamento agrícola para evitar que haja conflito entre a produção de álcool e de alimentos. “O desbalanceamento em favor da cana é muito grande. Nesse ritmo, todo mundo vai querer produzir álcool”, prevê.
Na avaliação dele, existem três tipos de investidores interessados na expansão do setor canavieiro. Entre eles estão os usineiros, que procuram investir no próprio crescimento; os novos grupos de empresários que estão surgindo montados em muito dinheiro; e alguns aventureiros que estão querendo comprar usinas quebradas para recuperá-las e depois vendê-las por um preço bem maior.
Nassif afirma que o “boom” da cana-de-açúcar vai refletir não só entre os usineiros, como também entre os plantadores e na indústria de base, que produz equipamentos e máquinas agrícolas.
O economista Gilberto Vieira, especialista em administração rural, lembra ainda que por determinação de lei ambiental, a partir desse ano os produtores de cana não poderão queimar mais do que 50% da cana produzida. Isso, na opinião dele, deve alavancar a venda de colheitadeiras, mas por outro lado resultará na dispensa de cortadores.
Vieira também concorda que não há muito espaço na região para o crescimento da cana. Segundo ele, o aumento da área plantada será pequeno e ficará concentrado na região de Iacanga por conta da instalação de nova usina.
Por esse motivo, o nível de emprego deverá permanecer inalterado, com possibilidade de queda por causa da mecanização da colheita.
Dupla
O Brasil e Estados Unidos respondem, juntos, por 70% do mercado mundial de etanol. No caso norte-americano, o produtor é obtido a partir do milho.
Esse mercado representa algo em torno de 2% do consumo global de combustíveis e não tem grandes perspectivas de se ampliar na Europa ou no Japão e, no caso do produto brasileiro, nem nos Estados Unidos por conta de barreiras protecionistas.