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Entrevista da semana: Paulo Medina: ‘Gosto de festa boa’

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 6 min

Se as maneiras realmente fazem o homem, como diz o antigo provérbio inglês, o empresário Paulo Medina está próximo do que os súditos da rainha Elizabeth chamariam de perfeito gentleman. Proprietário, ao lado de Marcelo Nunes Garcia, do buffet Capristor, um dos mais tradicionais do Interior do Estado de São Paulo, ele é reverenciado pelo bom gosto e a competência com que conduz – há quase 50 anos – as mais requintadas festas de Bauru e região.

No meio da semana, ele recebeu a reportagem do Jornal da Cidade em seu escritório no Capristor para conceder a entrevista a seguir, na qual fala sobre o seu trabalho e revela com nostalgia que sente falta do glamour das festas do passado. Leia os melhores trechos.

Jornal da Cidade - Quando o senhor começou a trabalhar?

Paulo Medina - Desde criança, trabalhava com o meu pai, que era alfaiate em Promissão. Carreguei mala no hotel que ficava em frente à alfaiataria, vendia garrafa vazia para ir ao cinema. Sempre fui muito curioso e nunca tive medo de trabalhar, quase nunca pedia dinheiro ao meu pai. Depois trabalhei na Casa Moreira.

JC - Quando sua família veio para Bauru o senhor trabalhava em quê?

Medina - Minha família veio e eu ainda fiquei uns quatro anos em Promissão porque estava na Casa Moreira, onde vendia tecidos. Quando vim pra cá, fui trabalhar como decorador na Casa Lusitana, que era uma loja grande. Eles tinham uma vitrine enorme que eu decorava inteira, da moda às ferragens.

JC - Como o senhor começou a trabalhar com buffets?

Medina - Eu era decorador de festas, de eventos e o negócio foi crescendo. Abri uma loja na Batista de Carvalho 5-50, que ficou muito famosa. Uma loja maravilhosa, à frente do seu tempo, fora de época, que vendia todos os tipos de produtos finos, desde roupa até presentes, cristais, porcelana... Depois abri o buffet e ele começou a crescer demais e não tive como cuidar dos dois ao mesmo tempo, então fechei a loja para me dedicar só ao buffet. Agora estamos quase completando 50 anos e fazemos festas em toda região e outras cidades de São Paulo e Estados mais próximos.

JC - Como surgiu o nome Capristor?

Medina - Fiquei um mês pensando em como seria o nome do buffet. “Capri” vem de palavra capricho e o “stor” vem de store, que é loja em inglês. Gosto do nome, que é diferenciado. Duas lojas, uma de Jaú e outra de Porto Alegre, já tentaram usar esse nome e nós conseguimos impedi-los porque registramos o nome.

JC - O senhor se considera festeiro?

Medina - Gosto de festa boa. Sempre gostei e curto muito as festas que eu faço. Sou até chato com isso, estou sempre olhando tudo nos mínimos detalhes para garantir que esteja perfeito... mas são muitos anos nessa roda-viva. Com o buffet é preciso ter a preocupação para que tudo corra bem, desde o atendimento à comida, não dá para relaxar. Por isso nosso trabalho é diferenciado.

JC - O senhor gosta de comer?

Medina - É curioso por eu trabalhar com um buffet, mas não sou muito fã de comida. Como pouca comida, gosto mesmo é de dormir. Se eu ficar sem comer, tudo bem. Se ficar sem dormir, é uma tragédia. Fiquei um mês na Inglaterra no final do ano para o casamento da minha filha, que mora lá, e gostei da maneira como eles comem: um belo café da manhã, um lanche ou um chá no meio do dia e depois só uma refeição mais tarde. Não tem almoço. Me dei muito bem com isso. Não costumo comer e quando como fora, só vou a lugares que eu conheço. Sou chato com limpeza, mas não sou exigente. Se você me der arroz com feijão e um ovo frito, eu vou adorar. Mas não entro em um lugar que não conheço.

JC - O senhor vai a todas as festas que organiza?

Medina - Não, eu e meu sócio revezamos quando temos duas ou mais festas. Geralmente vou aos casamentos.

JC - O que mudou no ramo dos buffets nesses quase 50 anos?

Medina - Acho que hoje as pessoas exigem mais do que antigamente. Elas chegam com tudo muito pensado e observam todos os detalhes, até como se dobra o guardanapo, como é a toalha, a cortina, o chão. Hoje acho que as coisas são feitas com mais antecedência também, então as pessoas têm tempo de pensar. Antes era tudo meio em cima da hora.

JC - E o comportamento das pessoas?

Medina - Quando é uma boa festa, de nível, como as que fazemos aqui, percebo que as pessoas têm uma preocupação maior em não dar vexame. Acho que antes não era assim.

JC - Qual o tipo de festa mais realizada atualmente?

Medina - Casamentos, já temos muitos agendados para este ano. Só que antes se fazia casamentos para 700, 800 pessoas. Hoje são, no máximo, 400 pessoas e olhe lá. Optam por uma festa melhor para menos pessoas.

JC - O senhor pretende voltar a trabalhar com moda algum dia?

Medina – Penso em montar um brechó para madame. Vi brechós em Paris e Londres, recentemente. Queria fazer um lugar com roupas boas, que não vão ser mais usadas pelos seus donos, com preços bons. Mas tem que ser coisa de qualidade. Voltar a mexer com moda é o meu sonho, mas não quero abrir uma loja de alto padrão como eu já tive porque o consumidor hoje mudou. Outra coisa: Bauru já tem o seu eixo de moda cara.

JC - Como o consumidor mudou?

Medina - Hoje a moda não é como antigamente. Hoje as pessoas compram roupa pronta, alugam roupas para festas, as noivas vão para São Paulo comprar vestidos naquela rua só para as noivas... Não tem mais aquilo de fazer um modelo exclusivo. Só quem tem muito dinheiro faz isso atualmente.

JC - No caso do buffet, o impacto financeiro também pôde ser sentido?

Medina - Existe menos dinheiro no mercado hoje em dia. Por isso existem tantos restaurantes self-service. Antes não tinha isso, você ia a um restaurante, olhava o cardápio... No buffet, antigamente, era difícil fazer uma festa sem camarão no cardápio. Hoje quase não tem camarão nem lagosta nas festas.

JC - O passado era mais glamouroso?

Medina - Era, claro. Além do dinheiro, os costumes eram outros. Outro dia fui ao Teatro Municipal em São Paulo e vi muita gente com calça jeans, tênis. Imagine se antigamente as pessoas usavam esse tipo de roupa no Municipal. Eu freqüentei o chá das cinco no Mappin, em São Paulo, usava gravata e tudo mais. Era diferente, hoje há uma anarquia na moda.

JC - O senhor sente saudade desse charme do passado?

Medina - Demais, demais. As pessoas se vestiam melhor, eram mais educadas, tudo era mais bonito.

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Perfil

Nome completo: Paulino Medina Garcia

Local de nascimento: Promissão

Esposa: Irene Simeone Medina

Filhos: Paula Simeone Medina (35 anos) e Rodrigo Simeone Medina (falecido aos 17 anos)

Hobbies: Arte e moda

Livro de cabeceira: Não tenho um livro que admire mais, gosto mesmo é de ler jornais e revistas, que eu adoro

Filme preferido: “Titanic” (de James Cameron)

Estilo musical predileto: Gosto de música romântica, não importa o estilo.

Time de coração: Noroeste e São Paulo

Para quem daria nota 10: Jacy Macedo

Para quem daria nota 0: Não existe uma pessoa para quem daria nota 0

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