O Brasil tem hoje cerca de 300 usineiros. Boa parte deles está concentrada no Interior do Estado de São Paulo, que desponta como parte da “nova terra prometida” dos combustíveis, uma espécie de Oriente Médio do etanol, combustível limpo que está trazendo ninguém menos do que o homem mais poderoso do Planeta ao Brasil – GeorgeW. Bush.
No momento em que o mundo volta suas atenções para a busca de fontes alternativas de combustível, os empresários do setor sucroalcooleiro estão prestes a se tornarem verdadeiros xeiques do petróleo verde, por causa das condições favoráveis que eles possuem de oferecer ao mundo a energia para continuar movimentando motores, turbinas e, o que é melhor, sem colaborar para piorar efeito estufa.
“Vejo um quadro de pelo menos dez anos de crescimento contínuo de produção da cana não só para atender a demanda do álcool combustível como também do açúcar”, prevê o presidente da Associação dos Plantadores de Cana da Região de Jaú (Associcana), Paulo Brandão.
O álcool, extraído da cana-de-açúcar (daí o termo petróleo verde), desponta como uma das apostas mais promissoras para ocupar o lugar de destaque que até então tem sido dado à gasolina e outros derivados do petróleo. Por isso, as usinas produtoras de álcool estão despertando o interesse de investidores nacionais e estrangeiros.
Ainda é cedo para afirmar que as usinas terão a importância que têm hoje os poços de petróleo do Oriente Médio, maior fornecedor mundial desse tipo de produto. Mas a julgar pelo interesse que o álcool tem despertado em investidores ingleses, franceses, japoneses, coreanos, alemães e americanos, entre outros, o Brasil deverá sim ocupar uma posição de destaque no cenário mundial de produção de energia renovável.
Essa possibilidade é tão real que despertou o interesse até mesmo do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, que está de olho gordo nas reservas de álcool do Brasil. Uma Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) do Etanol foi formada nessa semana passada, nos Estados Unidos. O Brasil, como detentor da melhor tecnologia e de vastos campos para plantação da cana, tem acento privilegiado.
Historicamente sempre “preocupado” com a indústria petrolífera, o presidente norte-americano desembarca este mês no Brasil para tratar de um possível acordo estratégico entre os dois países para o fornecimento de álcool ou etanol. Etanol é o termo técnico usado mundialmente para denominar o álcool.
Além de ser uma alternativa ao petróleo, cujas reservas estão secando ano a ano, o álcool oferece infinitamente menos riscos ao meio ambiente. A queima de gasolina e do diesel, derivados do petróleo, lança na atmosfera dióxido de carbono, um dos gases causadores do efeito estufa. Os gases liberados pela queima do biocombustível, por sua vez, são reabsorvidos pelo canavial, no processo conhecido como fotossíntese.
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Maior produtor
Assim como a Arábia Saudita é a maior exportadora de petróleo no mundo, o Brasil também tem condições de se tornar o principal fornecedor de biocombustível. E o Estado de São Paulo, maior produtor de cana do País, será um dos grandes beneficiados com tudo isso.
Na última safra, das 387 milhões de toneladas de cana produzidas no Brasil, 243 milhões foram plantadas em terras paulistas. Ou seja, o Estado responde por mais da metade da produção nacional de cana-de-açúcar. Conseqüentemente, é também o maior produtor de álcool do País, com 10 milhões de metros cúbicos na safra 2005/06. A produção nacional ficou em 16 milhões de metros cúbicos.
Dentro do Estado, a maior produtora de álcool é a região de Ribeirão Preto com 1,7 milhão de metros cúbicos. Na seqüência, vem as regiões de Barretos e Jaú como as mais produtivas. A microrregião de Bauru tem uma presença muito tímida dentro do contexto estadual. Na safra passada, foram produzidos apenas 67 mil metros cúbicos de álcool. Mesmo assim, houve um crescimento de 24% em comparação à safra anterior. Mas a tendência é aumentar ainda mais com a entrada em operação da usina de Iacanga, prevista para este ano.
Para o presidente do Sindicato Rural, Maurício Lima Verde, Bauru oferece um sistema adequado para o escoamento da produção agrícola. Por isso, na opinião dele, a chegada da cana no município é apenas uma questão de tempo. “A cana vai chegar aqui. Isso é irreversível”, garante ele.