Bairros

Mau planejamento afeta futuro comercial

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 3 min

Muitas pessoas costumam associar o empresário bem sucedido à imagem do capitalista arrojado e impetuoso, que enfrenta todos os obstáculos e dificuldades para atingir o tão almejado lucro. Segundo especialistas da área econômica, porém, a ânsia excessiva de ganhar dinheiro pode ser prejudicial para o futuro dos novos empreendimentos. No caso das empresas abertas na periferia, a pressa costuma trazer conseqüências ainda mais graves.

“Muitas pessoas se lançam no mercado sem saber se idéia é ou não viável. Por essa razão, muitos deles acabam quebrando”, explica Adriano Fabri, professor da Instituição Toledo de Ensino (ITE) de Bauru e especialista em empreendedorismo. Segundo estimativas do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), cerca de 68% dos negócios existentes no País fecham até o quinto ano de atividade.

Lúcia Helena Tragante, analista da entidade, concorda que a falta de planejamento estratégico é um dos fatores que mais impedem o desenvolvimento dos novos negócios. Ela lembra que a falta de informação é muito grande entre os empreendedores da periferia.

“Várias pessoas montam negócios sem conhecer os procedimentos burocráticos necessários para isso”, explica ela. Ela lembra que parte expressiva dos empresários dos bairros pobres têm baixa escolaridade.

A ausência de conhecimento prévio é apenas uma das causas para que a pressa impere entre os empreendedores da periferia. Outro motivo para toda essa ânsia, explica Tragante, está nas próprias necessidades financeiras do população dos bairros pobres.

“Muitos negócios existentes no País são montados devido à falta de dinheiro. É mais uma questão de sobrevivência do que de espírito empreendedor. As pessoas abrem uma empresa e já querem sair faturando o mais rápido possível”, pondera.

Este foi o caso de Maria Helena Pereira e do marido Inácio. Há três meses, eles montaram uma padaria no Núcleo Gasparini, meio por acaso. Eles tinham um restaurante na área central da cidade, mas foram obrigados a fechar o estabelecimento.

“Ficamos preocupados e saímos em busca de uma alternativa para ganhar dinheiro. Foi quando meu marido ficou sabendo que essa padaria estava à venda”, recorda Pereira. Por enquanto o negócio vai bem, apesar de o casal não possuir muita experiência na área de panificação.

“No começo, nosso maior problema foi arrumar um profissional responsável que pudesse confeccionar pães e bolos”, relembra ela. Agora, Inácio está começando a freqüentar um curso de panificação, para não se tornar refém dos padeiros. “É sempre bom estar preparado para um momento de emergência”, avalia a esposa.

Ao contrário do casal, Fabiana Modolo, responsável por uma drogaria no Parque Santa Edwirges, já tinha experiência considerável no ramo. “Trabalhei durante seis anos seguidos em um estabelecimento como farmacêutica”, afirma.

Ela reconhece, porém, não estar muito familiarizada com a gestão de negócios. Mesmo assim, Modolo já planeja algumas inovações na farmácia. “Vamos fazer uma reforma para alterar o visual do estabelecimento. Muitas pessoas que passavam pela rua não fazem idéia de que funciona uma drogaria”, explica.

Todas as medidas que ela pretende adotar foram inspiradas pela intuição. Nenhum estudo técnico sobre a viabilidade das propostas foi elaborado. Para Tragante, a atitude é arriscada. “O correto seria que a pessoa procurasse uma consultoria séria para avaliar bem idéia”, diz.

O Sebrae disponibiliza cursos, palestras e consultas gratuitas com analistas para aqueles que desejam se tornar empreendedores. “Quem tem interesse em abrir uma negócio pode nos procurar, que receberá assessoria na montagem do seu plano de gestão”, garante Tragante. Ela alerta, porém, que é necessária muita dedicação aos estudos para que o negócio entre em funcionamento.

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