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A tradição das cartas

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 2 min

Podem perguntar a seus pais e seus avós: houve um tempo em que as novidades eram contadas através de cartas. Muitas vezes essas novidades já eram notícia velha quando a pessoa recebia a correspondência, mas, mesmo assim, causava muita emoção, alegria ou tristeza, dependendo da notícia. Seus pais e avós devem até guardar algumas cartas que receberam, seja de amigos, parentes, namorada ou namorado.

Naquele tempo, imaginava-se que o mundo acabaria no ano 2000 e, se não acabasse, as pessoas andariam em esteiras ou carros voadores. Ainda não aconteceu, mas com certeza muita coisa evoluiu, entre elas a forma de comunicação entre as pessoas. Atualmente não é preciso mais esperar dias por uma carta, basta mandar um e-mail ou entrar no messenger ou acessar o skipe, só para citar alguns meios de comunicação instantânea.

As cartas, tão esperadas antigamente, viraram item obsoleto nos dias de hoje. Mas imagine que você precisa se comunicar com alguém que não tenha telefone ou computador, como faria? O que escreveria? E se sua missão fosse salvar o planeta, e só pudesse se comunicar através de uma carta?

É difícil pensar em uma situação assim, ainda mais se você estiver lendo este texto através da Internet. Apesar disso, há pequenos leitores que já escreveram ou ainda escrevem cartas, mesmo sendo adeptos do correio eletrônico.

É o caso de Gabriela Ferreira Silva, de 11 anos, aluna da 6a série na Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Aníbal Di Francia, no Parque São Geraldo. Apesar de ser internauta convicta, ela conta que já escreveu cartas para mandar notícias e contar novidades aos primos e familiares que vivem em outra cidade. Assim como Gabriela, Isabelle Maria Gomes Coppi, de 12 anos, também já se aventurou a escrever cartas, para matar a saudade de amigos que vivem longe.

Ambas concordam, no entanto, que o mais legal não era escrever, mas receber cartas. “Tenho várias guardadas que os amigos da minha mãe mandavam, falando que estavam com saudades, pedindo para a gente visitá-los”, conta Isabelle.

As duas meninas são ligadas no mundo virtual, têm acesso à Internet e preferem o e-mail à carta, mas dizem que não teriam problemas em escrever se fosse preciso. O que as estudantes não sabem é que já escrevem cartas, endereçadas a elas mesmas, em seus diários. O professor de português da Emef Aníbal Di Francia, Luiz Carlos Rafacho, confirma que o diário nada mais é do que uma correspondência que a pessoa escreve para si mesma, já que ninguém pode ler.

Por isso, quem tem diário, escreve cartas aos montes, mesmo indo à lan louse ou acessando o computador da escola ou de casa todos os dias. E aí, que tal receber carta de você mesmo ou melhor: que tal enviar uma correspondência para alguém? Com certeza essa pessoa vai adorar e você vai gostar também da experiência.

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