Polícia

Maioria das prisões é por tráfico

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

O tráfico de drogas é o “carro-chefe” das prisões registradas em Bauru. No ano passado, no topo dos delitos que levam ao xadrez, foi responsável por 314 flagrantes dos 991 registrados pela Delegacia Seccional de Bauru. Considerando que em cada flagrante pelo menos uma pessoa é presa, o número de pessoas detidas por causa do crime em 2006 foi suficiente para encher 40% do Centro de Detenção Provisória (CDP), projetado para abrigar 768 detentos, mas que opera com cerca de mil.

E os números são crescentes. Numa comparação entre os flagrantes de 2005 e 2006, os casos de tráfico aumentaram de 25,3% para 31,7% do total. Apenas nos dois primeiros meses deste ano, 64 pessoas foram presas por conta do delito, atrativo por ser rentável. “Mas não vale a pena porque as conseqüências são desastrosas”, alerta Kleber Granja, delegado da Delegacia de Investigações sobre Entorpecente (Dise).

Ele lembra que a pena prevista para o crime é de cinco a 15 anos de reclusão. Ainda assim, há quem mate para ficar com o ponto de tráfico alheio. Portanto, segundo Kleber, quando aumenta o número de pessoas presas em virtude do delito, a incidência de assassinatos, furtos e roubos, cai proporcionalmente.

Em Bauru, segundo a polícia, não há crime organizado sustentado pelo tráfico, como ocorre nos morros cariocas, por exemplo. No entanto, ao estabelecer o perfil do traficante da cidade, o delegado cita também aqueles que se juntam para encomendar, receber, dividir e distribuir a droga (associação para o tráfico).

Coação

Em muitos casos, os traficantes coagem trabalhadores para guardar entorpecente e armas. “São chamados de Zé Povinho. Não pessoas que têm passagem pela polícia, mas são ameaçadas”, explica. Há também quem exerça a função de “Mula”, responsável pelo transporte do entorpecente entre o grande e o pequeno traficante.

Em muitos casos, a “Mula” também atua sob pressão. É o caso, por exemplo, de mulheres obrigadas a entrar em unidades prisionais com droga. Em alguns casos, elas ou parentes são coagidos por traficantes. Outras fazem o trabalho ao acatar pedido de familiar. Em outras situações, a “Mula” ainda faz o serviço investido de caráter “profissional”.

É contratado por um grande traficante e tem a confiança dele, acrescenta o delegado. Em Bauru, o entorpecente mais transportado e vendido é o crack. “Ele superou em muito a maconha e a cocaína. Tem também a questão da facilidade do transporte pelo tamanho da pedra e do preço”, conclui Granja.

Ainda assim, o trabalho das polícias Civil e Militar tem ajudado a reverter a incidência do delito. A Polícia Civil, por exemplo, conta com o apoio logístico do Departamento de Polícia Judiciária-4 (Deinter-4), que dá à Dise elementos preponderantes para investigar fornecedores e traficantes, encerra Granja.

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Dinheiro

Tem quem se arrisque no tráfico em virtude do rendimento proporcionado pelo delito. Faz do crime um meio de subsistência. Uma pedra de crack, pesando um grama, por exemplo, pode ser encontrada no atacado por R$ 5,00.

Pequenas, são comercializadas no varejo por R$ 10,00. Numa noite, se o traficante vender 20, recebe 200,00. Para carpir um quintal ou fazer uma faxina receberia aproximadamente R$ 10,00 e R$ 30,00, respectivamente. Além disso, o número de clientes é vasto e todos pagam à vista.

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