Ontem pela manhã, populares lotaram a lagoa da Quinta da Bela Olinda. Desta vez não se tratava de um caso de afogamento (o último ocorrido no local foi em dezembro do ano passado), mas sim do The Best Track Mountain, evento disputado por ciclistas de Bauru e região que não ocorria desde 2003. Campeonato que atraiu esportistas e também moradores da região, que consideram escassas as opções de lazer entretenimento na região na região leste da cidade.
Com produção independente e divulgação focada em estabelecimentos ligados ao esporte, 90 participantes se inscreveram para concorrer a prêmios “simbólicos” nas seis categorias do campeonato (júnior, estreante, feminino, masculino A, masculino B e elite). Ao final do número de voltas estabelecido por categorias, num circuito com extensão de 3.200 metros, os primeiros colocados receberam troféus e prêmios máximos de R$ 80,00.
Com sistema sonoro improvisado um dos organizadores tentava evitar que os espectadores obstruíssem a passagem dos competidores. Enquanto os ciclistas suavam no calor do sol, alguns populares se refrescavam nas águas do lago, sem nenhuma viatura dos bombeiros ou polícia por perto. A certa altura, um dos atletas depois avisou a organização que a água potável havia acabado.
Competidores e organizadores reclamaram da falta de apoio municipal ao esporte e a atletas bauruenses. “Nós contamos com apoio basicamente de empresas do ramo ciclístico para conseguir viabilizar o evento. Empresas de outros ramos não se interessam em investir. A prefeitura também não dá respaldo nenhum. Para conseguir o único item que eles nos cederam, uma ambulância, foi bastante difícil”, conta Marcos José Fernandes, idealizador do evento. “Já a água doada pelo DAE (Departamento de Água e Esgoto de Bauru), não foi suficiente, como você viu”, completa.
“Eu sou um bom exemplo disso. Sou de Bauru e tenho que correr pela cidade de Agudos devido ao apoio”, revela o competidor Reginaldo Ferreira. Segundo ele, a principal dificuldade é no transporte para outras cidades. “Eu e mais um competidor de Bauru conseguimos participar de campeonatos somente devido a essa ajuda”, completa o rapaz, que há pouco tempo conseguiu apoio logístico também do Expresso de Prata.
O moutain bike, competição que alia velocidade força e técnica para superar circuitos acidentados em meio à natureza, é pouco divulgado no País, mas Fernandes acredita que este ano pode marcar o desenvolvimento da modalidade. “Este ano passamos a figurar como esporte olímpico. Isso com certeza irá alavancar o mountain bike entre os brasileiros”, acredita o realizador.
A organização considera que o número de inscritos na competição poderia ter sido ainda maior, caso patrocinadores viabilizassem atrativos. Opinião compartilhada pelos atletas. “Por experiência própria, se o prêmio fosse de cerca de R$ 300,00, mais de 350 pessoas estariam aqui”, afirma Ferreira. Ele atesta que gastos com translado inviabilizam participações em locais distantes.
População quer mais
Mesmo sem divulgação popular, o evento atraiu moradores dos bairros próximos à lagoa. Raimundo Nonato Barbosa e mais dois amigos avistaram a movimentação de suas casas, no Mary Dota e resolveram se deslocar até a Quinta da Bela Olinda para verificar o que estaria acontecendo.
“Aqui na região não existe nenhuma opção de lazer para crianças e adultos. Quando acontece algo diferente, a população comparece mesmo para prestigiar. Todos os finais de semana deveriam acontecer eventos como este”, opina o espectador, que nunca havia acompanhado uma disputa de moutain bike.