Nacional

Araraquara vive 16 horas de rebelião

Por Juliana Coissi | Folhapress
| Tempo de leitura: 1 min

Araraquara - Uma rebelião que durou cerca de 16 horas, com três reféns, no final de semana na Fundação Casa (antiga Febem) de Araraquara terminou com o prédio destruído e garotos transferidos para outras cidades.

A rebelião foi a primeira no Estado desde a mudança de nome da fundação, em dezembro de 2006. Participaram do motim 44 dos 62 jovens da unidade de internação, que tem capacidade para 72. Os garotos da internação provisória não aderiram. A visita familiar de ontem foi cancelada.

O levante começou por volta das 22h30 do sábado, quando agentes de segurança tentavam separar uma briga entre dois garotos - a situação escapou do controle, a confusão se alastrou e começou a rebelião. Os amotinados conseguiram dominar todo o interior da unidade.

Segundo a fundação, eles atearam fogo em colchões e destruíram fiação elétrica, TVs, aparelhos de DVD, computadores da administração e os equipamentos de três oficinas pedagógicas - costura, mecânica de motos e de bicicletas.

Durante a negociação com diretores da Casa, os adolescentes pediram o fim do veto à entrada de familiares como tios e primos. A fundação diz que não há tal restrição, mas pode ter havido algum problema com os cadastros - visitantes devem ser cadastrados antes da visita.

A rebelião só terminou por volta das 14h, após negociações. A tropa de choque da Polícia Militar entrou na unidade para fazer revista, acompanhada dos diretores e de familiares. Segundo a fundação, os amotinados terão suspensas atividades externas.

Para Jamil do Nascimento, da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil, a rebelião foi “lamentável”. “Os meninos sempre foram bem tratados. As famílias dos internos deveriam ressarcir os estragos.”

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